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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Brasil é um país racista?

Encontramos uma grande maioria de respostas apontando para o sim. Em nossa busca deparamo-nos com o depoimento do escritor angolano José Eduardo Agualusa para uma revista da editora Abril.
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"O Brasil ainda é um país moldado na escrava - tura, igual à África. O Brasil tem uma África dentro de si e às vezes não lhe dá atenção. Aqui, como em Angola, por exemplo, existe a figura da babá negra que passa de geração em geração; há o moleque criado como se fosse filho, mas, na verdade, ele trabalha na casa, sem remuneração. Negro e pobre são condições que se confundem no Brasil. Não se criou aqui, como em Angola, uma elite negra. A gente repara nessa desigualdade no dia-a-dia, na relação entre as pessoas, e até mesmo na cultura. Atualmente não dá para citar um grande escritor negro ou mestiço brasileiro. Isso é incrível porque no século XIX havia grandes escritores afro-descendentes, como Machado de Assis e Cruz e Sousa. Pior ainda, não há um único grande autor indígena - algo que acontece em toda a América. Enquanto não enfrentar o problema e não der maior participação aos negros, o Brasil não terá se descolonizado. O Brasil é colônia.
Aqui existe o racismo, mas não a paranóia racial, como acontece nos Estados Unidos ou mesmo em Angola. Nesses dois países, sempre pensamos no assunto o tempo todo. Por exemplo, se em Angola organizamos uma antologia de poetas contemporâneos, obrigatoriamente pensamos em quantos negros vão participar. Aqui, não se presta tanta atenção à cor e nem acho que haveria autores negros suficientes para figurar em uma antologia. Gilberto Gil virou ministro da Cultura não porque é negro, mas por ser uma figura importante. Em Angola ou nos Estados Unidos, uma escritora como Clarice Lispector, infelizmente, não seria considerada nacional, mas ucraniana."

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O movimento negro está em luto.

O Professor, pesquisador e poeta Oliveira Ferreira da Silveira faleceu em 01/01/2009 em Porto alegre, Rio grande do Sul. A sua contribuição foi marcante para o movimento negro, destacando-se como proponente da data e do grande movimento que se espalhou pelo Brasil inteiro que é o Dia Nacional da Consciência Negra.
Não convencido com o conteúdo histórico da abolição da escravatura que ocorreu em 13 de maio de 1888, assinada pela princesa Isabel, juntamente com outros militantes, instituíram o dia 20 de novembro como um contraponto ao dia 13 de maio, resgatando assim os verdadeiros protagonistas da luta contra a escravidão no Brasil.
Sem muitos dados para dar consistência a sua busca, ele começa a pesquisar e transforma a história do Quilombo dos Palmares num fato com conteúdo real contrário à lei áurea do império.
A referência histórica é o dia em que assassinaram Zumbi dos Palmares em 20/11/1695.
Com os dados históricos em mãos ele batizou o movimento de Palmares, organizando e registrando o estatuto e em 20/11/1971, no clube Marcilio Dias, institui pela primeira vez o DIA NACIONAL DA CONSCIENCIA NEGRA.
A luta e o movimento negro ganharam visibilidade, com base nesta referencia histórica e em outras bandeiras de luta, ganham corações e mentes e a história é recolocada no seu devido lugar.
Hodiernamente, o dia 20 de novembro já é feriado em dezenas de cidades brasileiras.
O Presidente Lula deveria mandar para o congresso uma PEC denominada “Lei Oliveira Silveira”, instituindo o Feriado Nacional de 20 de Novembro como o dia NACIONAL DA CONSCIENCIA NEGRA, em reconhecimento a sua contribuição e a do movimento negro no Brasil inteiro. Com essa medida, daria um tratamento uniforme aos municípios brasileiros, sem a discriminação que existe hoje.
Um exemplo clássico dessa discriminação é o município de SBC, que se transformou numa verdadeira ilha de preconceito na região, pois é a única cidade que não comemora o referido feriado.
Espero que o Prefeito Luiz Marinho institua ainda esse ano o feriado de 20 de novembro, uma vez que consta no seu plano de governo referido feriado. A luta e a poesia de Oliveira Silveira estão em perfeita sintonia com pensamento Bertolt Brecht:
"Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis"

Lutar é preciso.
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(Aldo Santos)