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sábado, 19 de fevereiro de 2011

(...)

Um filósofo é uma pessoa que reconhece que há muita coisa além do que ele pode entender e vive atormentado por isto. Desse ponto de vista, ele é mais inteligente do que todos que vivem se vangloriando de seus pretensos conhecimentos.
“O Mundo de Sofia”
(Jostein Gaarder)

domingo, 30 de janeiro de 2011

Triste constatação!


O homem comum não tem fantasia suficiente para imaginar o mundo diferente do que ele é. Ele aceita as condições da existência, conforma-se em viver uma vida limitada a sessenta ou setenta anos e depois desaparecer. Queixar-se sobre o estado das coisas seria histeria. Chamar a vida de mistério seria loucura. Pois tudo segue as leis da natureza. A realidade como uma única e contínua “lei da natureza”!
E de resto está tudo na mais perfeita ordem. Os vasos de flores estão no peitoril das janelas, as crianças dormem, e a Terra gira em volta do Sol.
Como se essas leis da natureza não fossem “misteriosas”.
Para o homem comum, elas não o são absolutamente. Para ele, as leis da natureza são uma extensão lógica das leis da família e da sociedade. Assim como a polícia patrulha as ruas, a ciência mantém a lei e a ordem da razão. E se em algum momento alguma coisa não estiver em ordem, resta então como última instância a razão rasteira dos reverendos.
O homem comum quer ter conforto. Quer comer e beber até não poder mais, por toda sua vida. É como um tubo pelo qual a vida passa, até que um dia ele se vira de costas e, farto da vida, entrega seu espírito.

(“O Pássaro Raro”, Jostein Gaarder)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

LIBERDADE

Boa – noite, dizemos, e abrimos os braços. Logo em seguida, acendemos um cigarro e olhamos amedrontados à nossa volta. Espero não ter dito nada de errado.
De onde vem toda essa vaidade?
Por um prazo limitado, arrastamo-nos num globo terrestre pelo Universo. E no bonde um olhar nos apavora!
Parece que temos mais medo da vida do que da morte, que o nosso medo dos nossos semelhantes é maior do que o nosso medo da noite cósmica.
Não importa quem sejamos ou o que façamos: em centenas ou milhares de anos, isso estará esquecido. Será que não deveríamos tirar algumas conclusões desse fato? Quero dizer, não deveríamos aproveitar a vaidade em nosso próprio benefício, fazer dela uma forma de enriquecimento?
Sem dúvida, seria desagradável se todas as situações da vida fossem lembradas para sempre. Não significa para nós uma liberdade incomensurável podermos pensar: Amanhã – amanhã isso tudo estará esquecido?!
Não pretendo com isso conclamar à irresponsabilidade. Mas não precisamos ter preocupações a nosso próprio respeito. Não precisamos pensar em nosso necrológio. Disso estamos liberados. Podemos viver aqui e agora.
(Jostein Gaarder - "O Pássaro Raro", p. 183)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

(...) Estou dizendo que tudo o que vemos tem um pouco do mistério divino. Podemos ver o brilho desta alguma coisa num girassol ou numa papoula. Percebemos um pouco mais deste insondável mistério numa borboleta que pousou num galho, ou num peixinho dourado que nada no aquário. Mas o ponto mais próximo em que nos encontramos com Deus é dentro de nossa própria alma. Só lá é que podemos nos reunir com o grande mistério da vida. De fato, em alguns raros momentos podemos sentir que somos, nós mesmos, este mistério divino.
*
(“O Mundo de Sofia” Romance da história da filosofia, Jostein Gaarder, p. 321)

quinta-feira, 19 de março de 2009

 Depois podia ler-se: "A pessoa mais sábia é a que sabe que não sabe". Mais sábia que quem? Se o filósofo queria dizer com isso que uma pessoa que sabia que não sabia tudo era mais sábia do que uma que sabia pouco e que pensava que sabia muito - sim, nesse caso não era muito difícil partilhar a sua opinião. Sofia nunca tinha pensado nisso. Mas quanto mais pensava, mais claro lhe parecia que, no fundo, saber que não se sabe é uma espécie de saber. Ela não conseguia imaginar nada mais estúpido do que pessoas que defendiam opiniões que julgavam irrefutáveis, quando, na realidade, nada sabiam sobre isso.
*
(Jostein Gaarder) / “O MUNDO DE SOFIA”

domingo, 4 de janeiro de 2009


Já mencionei como a linguagem me falha. Falo a mesma língua das pessoas ao meu redor. Nós usamos as mesmas palavras. E embora eu combine essas palavras de forma diferente do que essas pessoas, elas compreendem muito bem o que digo. O problema não é verbal, mas cognitivo. Elas não compreendem a verdade que há por detrás das minhas palavras. Elas não percebem o alcance das minhas explanações. Elas usam este anteparo na cabeça que lhes impede de ver que a vida é um enigma. Quem sabe, talvez tenha sido cortada a ligação entre as duas metades do seu cérebro. Talvez isso me diferencie dos outros, talvez eu possua um órgão raro, uma anomalia. Se é esse o motivo do meu sofrimento, uma autópsia o trará à luz. Mas até lá ainda tem tempo, ainda tem um pouco de tempo...
Não pretendo de modo algum condenar meus semelhantes. Absolutamente não quero atacá-los pelas costas. Mas metade da minha vida eu dediquei à tentativa de despertar entendimento. E embora meu maior desejo fosse conscientizar meus semelhantes de que eles existem, sou considerado um histérico.
(Jostein Gaarder – “O Pássaro Raro”, página 118 e 119)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008


"A capacidade de nos surpreendermos é a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos (...) E agora tens que te decidir, Sofia: és uma criança que ainda não se habituou ao mundo? Ou és uma filósofa que pode jurar que isso nunca lhe acontecerá?... Não quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente."