Mostrando postagens com marcador Ferreira Gullar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ferreira Gullar. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Gato Pensa?


Dizem que gato não pensa
Mas é difícil de crer.
Já que ele também não fala
Como é que se vai saber?
A verdade é que o Gatinho,
Quando mija na almofada,
Vai depressa se esconder:
sabe que fez coisa errada.
E se a comida está quente,
Ele, antes de comer,
Muito calculadamente,
Toca com a pata pra ver.
Só quando a temperatura
Da comida está normal,
Vem ele e come afinal.
E você pode explicar
Como é que ele sabia
Que ela ia esfriar?
*
Gato pensa? / Adriana Calcanhoto
(Composição: Adriana Calcanhotto/Ferreira Gullar)

domingo, 6 de junho de 2010

MADRUGADA


Do fundo de meu quarto, do fundo
de meu corpo
clandestino
ouço (não vejo) ouço
crescer no osso e no músculo da noite
a noite
a noite ocidental obscenamente acesa
sobre meu país dividido em classes.
.
(Ferreira Gullar)

terça-feira, 26 de maio de 2009

 “Amigos morrem,
as ruas morrem,
as casas morrem.
Os homens se amparam em retratos.
Ou no coração dos outros homens”

*
(Ferreira Gullar)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Não há vagas


“O preço do feijão
não cabe no poema. O preço do
arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
*O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
*Como não cabe no poema
o operário que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
*– porque o poema, senhores,
está fechado:
‘não há vagas’
*
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira”
*
(Ferreira Gullar)