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terça-feira, 12 de outubro de 2010

As Profecias

Tem dias que a gente se sente
Um pouco, talvez, menos gente
Um dia daqueles sem graça
De chuva cair na vidraça
Um dia qualquer sem pensar
Sentindo o futuro no ar
O ar, carregado sutil
Um dia de maio ou abril
Sem qualquer amigo do lado
Sozinho em silêncio calado
Com uma pergunta na alma
Por que nessa tarde tão calma
O tempo parece parado?
Está em qualquer profecia
Dos sábios que viram o futuro,
Dos loucos que escrevem no muro.
Das teias do sonho remoto
Estouro, explosão, maremoto.
A chama da guerra acesa,
A fome sentada na mesa.
O copo com álcool no bar,
O anjo surgindo no mar.
Os selos de fogo, o eclipse,
Os símbolos do apocalipse.
Os séculos de Nostradamus,
A fuga geral dos ciganos.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia.
Um gosto azedo na boca,
A moça que sonha, a louca.
O homem que quer mas se esquece,
O mundo dá ou do desce.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia.
Sem fogo, sem sangue, sem ás
O mundo dos nossos ancestrais.
Acaba sem guerra mortais
Sem glorias de Mártir ferido
Sem um estrondo, mas com um gemido.
Os selos de fogo, o eclipse
Os símbolo do apocalipse
A fuga geral do ciganos
Os séculos de Nostradamus.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia
Um dia...
Sim, sim, sim...
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

domingo, 28 de dezembro de 2008





















" Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a
alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando
ciclos, fechando portas, terminando capítulos — não importa o nome que damos,
o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando
tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará:
não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se
sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia
uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As
coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas
marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que
devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu
gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e
assistir sempre ao mesmo programa.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba,
mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira (...)
"


Paulo Coelho
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