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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Quem souber brincar entra



Na porta do paraíso
Está uma criança.
Não consulta livro
nem pergunta nada.
Só abre um baú enorme,
onde estão guardados
todos os brinquedos
inventados
e por inventar,
e diz:
Escolha um para brincar comigo!
Quem souber brincar entra.

(Rubem Alves)

sábado, 24 de março de 2012





“O que valeu a pena está destinado à eternidade”.

(Rubem Alves)

sábado, 26 de novembro de 2011

A outra metade da sua alma...

Quando você encontrar a outra metade da sua alma, você vai entender porque todos os outros amores deixaram você ir. Quando você encontrar a pessoa que realmente merece o seu coração, você vai entender porque as coisas não funcionaram com todos os outros..
O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você”. A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.
(Rubem Alves)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Na infinita possibilidade das coisas...


"Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro."


(Rubem Alves)

domingo, 26 de junho de 2011

Prazer ou Alegria?

Era prazer?

Era.
Mas era mais que prazer.
Era alegria.
A diferença?
O prazer só existe no momento.
A alegria é aquilo que existe só pela lembrança.
O prazer é único, não se repete.
Aquele que foi, já foi.
Outro será outro.
Mas a alegria se repete sempre.
Basta lembrar.
(Rubem Alves in' Um mundo num grão de areia')

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Filosofando... Sobre a ESPERANÇA.

“Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança. Esperança é o oposto do otimismo. 'Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.' Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: 'E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível…' Otimismo é alegria 'por causa de': coisa humana, natural. Esperança é alegria 'a despeito de': coisa divina. O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade. O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre. A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce…”
(Rubem Alves)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Escrever...



Escrever é o meu jeito de ficar por aqui.
Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores!
Torço para que sejam
ipês amarelos...
(Rubem Alves)

sábado, 26 de março de 2011

Um único momento de beleza e amor justifica a vida inteira

'Compreendi, então, que a vida não é uma sonata que, para realizar a sua beleza, tem de ser tocada até o fim. Dei-me conta, ao contrário, de que a vida é um álbum de mini sonatas. Cada momento de beleza vivido e amado, por efêmero que seja, é uma experiência completa que está destinada à eternidade. Um único momento de beleza e amor justifica a vida inteira. '
(Rubem Alves)

sábado, 8 de janeiro de 2011

O essencial!


Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena.


(Rubem Alves)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sobre a Saudade

As coisas que restam sobrevivem num lugar da alma que se chama saudade. A saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. Aprovada foram as experiências que deram alegria. O que valeu a pena está destinado à eternidade. A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo. É para isso que necessitamos dos deuses, para que o rio do tempo seja circular.

(Rubem Alves)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Não sabia...

"Não sabia que era precisamente esse fracasso que me levaria ao lugar que desejava. As correntes do rio profundo foram mais generosas que o meu remar contra elas. Não cheguei aonde planejei ir. Cheguei, sem querer, aonde meu coração queria chegar, sem que eu o soubesse."

(Rubem Alves)

domingo, 19 de setembro de 2010

SAUDADE

Coisa bonita esta:
que haja coisas que são mais que coisas,
Coisas que nos fazem lembrar...
Coisas presentes que nos abrem
para o mundo das ausências...
Saudade não será isto?
Sentir que algo está faltando,
alguém que o coração deseja,
está longe...
Mas não basta ausência.
Há muitas coisas que ficaram pra trás,
das quais não sentimos saudade.
É que a gente não amava.
A saudade nasce
quando existe amor e ausência...

(Rubem Alves)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Liberdade X Prisão

“Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o voo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o voo por gaiolas.
As gaiolas são o lugar onde as certezas moram. É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que se as portas das gaiolas estivessem abertas eles voariam. A verdade é o oposto.
Os homens preferem as gaiolas ao voo. São eles mesmos que constroem as gaiolas onde passarão as suas vidas.”

(Rubem Alves)

terça-feira, 6 de julho de 2010

O Tato

O tato é o sentido que marca, no corpo, a divisa entre Eros e Tânatos. É através do tato que o amor se realiza. É no lugar do tato que a tortura acontece.
Escarafunchei minhas memórias de leitura e não encontrei nada que se referisse ao tato, exceto na poesia e na literatura. Um dos poemas de Fernando Pessoa que mais me comovem é construído a partir de uma experiência de um toque. “Foi um momento o em que pousaste sobre o meu braço, num movimento mais de cansaço que pensamento, a tua mão, e a retiraste. Senti ou não? Não sei. Mas lembro e sinto ainda qualquer memória fixa e corpórea onde pousaste a mão que teve qualquer sentido incompreendido, mas tão de leve!.. Como se tu, sem o querer, em mim tocasses para dizer qualquer mistério, súbito e etéreo, que nem soubesses que tinha ser.” (Fernando Pessoa, Obra Poética, Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, p.178) A mão toca o braço, sem pensar, para dizer… E daí surge um poema.
O olhar pode revelar amor ou morte. Mas o olhar exige distância para ver. O olhar não toca. Os olhos, para ver, têm de estar distantes da pele. O olhar promete, anuncia, ou o carinho ou o soco. Mas o olhar não é nem o carinho e nem o soco. Carinho e soco são entidades do tato.
A audição também. Ouvir um poema pode ser uma experiência de amor (como no filme “O carteiro e poeta”). Mas nenhum amante se contenta com a alegria que seus ouvidos lhe dão ao ouvir a voz da pessoa amada. A voz não basta. A conversa ao telefone é alegria. Mas o telefone terá de ser desligado sem que se realize a promessa de carinho que estava presente na voz. Beethoven escreveu uma sonata que recebeu o nome de “Sonata do adeus”. Ela se divide em três partes. Inicia-se com três acordes de profunda tristeza e que dizem vagarosamente “Le-be-wohl” – “Adeus”. O segundo movimento é a “Ausência” – um tempo melancólico de tédio. Distância vazia. E o terceiro, de esfuziante alegria, o “Retorno”. Retorno é poder abraçar de novo, tocar, acariciar, beijar, fazer amor… A alegria dos ouvidos é mendiga. Ela está sempre mendigando o toque. Recebi uma chamada telefônica a cobrar. Ao atendê-la ouvi uma voz desconhecida que me ameaçava com um “grupo fortemente armado” caso não atendesse suas exigências. Eu não disse nada. Só desliguei o telefone. A voz, sozinha, não pode cumprir suas ameaças. A voz não pode perfurar o meu corpo.
O tato acontece quando a pele e, portanto, o meu corpo, é tocado por algo de fora (ou por ele mesmo…). Nisso está a sua delícia! Nisso está o seu perigo!
A primeira experiência do nenezinho ao vir ao mundo é a experiência de tato. Sem nada saber, sua boquinha já mama um objeto ausente. Fome, dirão. Não tenho tanta certeza. Se fosse fome o nenezinho pararia de chorar somente depois que o leite fizesse seu trabalho tranquilizador no estômago. Mas não é assim. O nenezinho para de chorar imediatamente quando sua boca se ajusta ao seio. É uma experiência tátil de tanto prazer que permanece gravada inesquecivelmente em nossa memória erótica. É por isso que, mesmo depois de desmamados, os nenezinhos continuam à procura da experiência tátil original, completamente dissociada do leite. Está aí o segredo das chupetas: foram inventadas para substituir o seio… Enquanto escrevia fiz uma experiência mental: imaginei-me chupando uma chupeta. Senti-me meio ridículo, mas gostei. Imaginei, então, que talvez as pessoas que lutam para deixar o cigarro pudessem encontrar satisfação para o seu desejo chupando uma chupeta… Quem sabe o seu mal é saudade do seio, de qualquer seio…
E não será por isso que os homens sentem prazer em beijar o seio da mulher amada? Quando se beija o seio da mulher amada não se pode ver o seu rosto e não é preciso ouvir a sua voz.
Mas o tato é, talvez, o sentido sobre o qual menos se tenha falado. Há uma filosofia dos olhos, uma filosofia do ouvido, uma filosofia da boca. Mas desconheço uma meditação filosófica sobre o tocar. E, no entanto, a pele é lugar de tantas alegrias. Lembro-me de uma cena do filme “Cidade dos Anjos”. Quando o Anjo Apaixonado resolveu tornar-se humano, mesmo ao preço de perder sua imortalidade, ele entrou no mundo desconhecido das delícias do tato. Há uma cena em que ele está tomando um banho de chuveiro. Ah! Que experiência assombrosa de prazer e alegria! E, no entanto, é uma experiência que temos diariamente. Acontece que, em nossos rituais, ela não é uma experiência erótica mas simplesmente um automatismo prático da caixa das ferramentas.
Os prazeres do tato estão em todos os lugares. Só é necessário prestar atenção. Tive uma cólica renal. No hospital me trataram com buscopan. Uma injeção. Duas. Três. Quatro. Aí eu já estava verde e comecei a vomitar de dor. O médico disse à enfermeira: “Aplica uma dolantina…” Ela aplicou. Cinco minutos depois eu estava no paraíso. Senti, então, o insuperável prazer de simplesmente não ter dor!
(Rubem Alves)

sábado, 19 de junho de 2010

Memórias...

Há umas memórias das quais me livraria com prazer. Seria preciso inventar uma técnica de faxina de memórias: uma vez por ano, limpeza das memórias que fazem sofrer. Mas há as memórias que amo. Curioso: nenhuma delas é sobre acontecimentos importantes. São memórias-brinquedo: fico brincando com elas. E isso me faz feliz.

(Rubem Alves)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Eu quero...

Eu quero desaprender para aprender de novo.
Raspar as tintas com que me pintaram.
Desencaixotar emoções, recuperar meus sentidos.
.

(Rubem Alves)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Fora das Palavras

Levou tempo para que eu percebesse que quem presta muita atenção no que é dito não consegue escutar o essencial. O essencial se encontra fora das palavras.

Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– Se eu fosse você”

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A vida, para ser bela, deve ser cercada de verdade, de bondade e liberdade...

Felicidade é discreta, silenciosa e frágil, como a bolha de sabão. Vai-se muito rápido, mas sempre se podem assoprar outras.
Quem é rico em sonhos não envelhece nunca. Pode até ser que morra de repente. Mas morrerá em pleno voo. O que é muito bonito.
Eternidade é o tempo quando o longe fica perto.
Não quero nem subir para os céus, nem progredir para frente. Quero mesmo é voltar para os lugares e os tempos que amei e perdi. A alma é o lugar da saudade. Velhice é quando o rio se prepara para converter-se em mar. Para tudo há um tempo. Mas Deus colocou o coração do homem para além do tempo, na eternidade.
Seremos sábios quando nos tornamos crianças: essa é a essência da sabedoria bíblica. Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com olhos de criança. Está sempre à procura de companheiros para brincar.
Eu poderia ter sido jardineiro... Como não fui, tento fazer jardinagem como educador, ensinando às crianças, minhas amigas, o encanto pela natureza. O jardim é a face divina da nostalgia que mora em nós. Jardins bonitos há muitos, mas só traz alegria o jardim que nascer dentro da gente.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro.
Esperança é quando, sendo inverno do lado de fora, a despeito dele brilha o Sol de verão no lado de dentro. Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. A vida é tão boa! Não quero ir embora... A vida, para ser bela, deve ser cercada de verdade, de bondade, de liberdade. Essas são as coisas pelas quais vale à pena morrer.

(Rubem Alves)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Quando chega o fim... (Parte II)

“Agora, ao final de nossas andanças,
nossos olhos são outros, olhos de velhice, de saudade.
‘Toda saudade é uma espécie de velhice.’
É por isso que os olhos dos velhos vão se enchendo de ausências.
‘Memória fraca’, dizem os jovens.
Engano: é que a sua alma sabe o que merece ser lembrado.
Esquecem-se do que aconteceu ontem,
mas se lembram do
que aconteceu há muito tempo,
como se fosse hoje.”
(Rubem Alves)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A alegria é um pássaro
que só vem quando quer.
Ela é livre.
O máximo que podemos
fazer é quebrar todas as
gaiolas e cantar uma canção
de amor, na esperança de
que ela nos ouça.
(Rubem Alves)