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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Assunto: TRIBOS URBANAS

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Educação de quarto mundo


"Por que nos contentarmos com o pior, o medíocre, se podemos ter o melhor e não nos falta o recurso humano para isso?"

No meio da tragédia do Haiti, que comove até mesmo os calejados repórteres de guerra, levo um choque nacional. Não são horrores como os de lá, mas não deixa de ser um drama moral. O relatório "Educação para todos", da Unesco, pôs o Brasil na 88ª posição no ranking de desenvolvimento educacional. Estamos atrás dos países mais pobres da América Latina, como o Paraguai, o Equador e a Bolívia. Parece que em alfabetizar somos até bons, mas depois a coisa degringola: a repetência média na América Latina e no Caribe é de pouco mais de 4%. No Brasil, é de quase 19%.
No clima de ufanismo que anda reinando por aqui, talvez seja bom acalmar-se e parar para refletir. Pois, se nossa economia não ficou arruinada, a verdade é que nossas crianças brincam na lama do esgoto, nossas famílias são soterradas em casas cuja segurança ninguém controla, nossos jovens são assassinados nas esquinas, em favelas ou condomínios de luxo somos reféns da bandidagem geral, e os velhos morrem no chão dos corredores dos hospitais públicos. Nossos políticos continuam numa queda de braço para ver quem é o mais impune dos corruptos, a linguagem e a postura das campanhas eleitorais se delineiam nada elegantes, e agora está provado o que a gente já imaginava: somos péssimos em educação.

Pergunta básica: quanto de nosso orçamento nacional vai para educação e cultura? Quanto interesse temos num povo educado, isto é, consciente e informado - não só de seus deveres e direitos, mas dos deveres dos homens públicos e do que poderia facilmente ser muito melhor neste país, que não é só de sabiás e palmeiras, mas de esforço, luta, sofrimento e desilusão?

Precisamos muito de crianças que saibam ler e escrever no fim da 1ª série elementar; jovens que consigam raciocinar e tenham o hábito de ler pelo menos jornal no 2º grau; universitários que possam se expressar falando e escrevendo, em lugar de, às vezes com beneplácito dos professores, copiar trabalhos da internet. Qualidade e liberdade de expressão também são pilares da democracia. Só com empenho dos governos, com exigência e rigor razoáveis das escolas - o que significa respeito ao estudante, à família e ao professor - teremos profissionais de primeira em todas as áreas, de técnicos, pesquisadores, jornalistas e médicos a operários. Por que nos contentarmos com o pior, o medíocre, se podemos ter o melhor e não nos falta o recurso humano para isso? Quando empregarmos em educação uma boa parte dos nossos recursos, com professores valorizados, os alunos vendo que suas ações têm consequências, como a reprovação - palavra que assusta alguns moderníssimos pedagogos, palavra que em algumas escolas nem deve ser usada, quando o que prejudica não é o termo, mas a negligência. Tantos são os jeitos e os recursos favorecendo o aluno preguiçoso que alguns casos chegam a ser bizarros: reprovação, só com muito esforço. Trabalho ou relaxamento têm o mesmo valor e recompensa.

Sou de uma família de professores universitários. Exerci o duro ofício durante dez anos, nos quais me apaixonei por lidar com alunos, mas já questionava o nível de exigência que podia lhes fazer. Isso faz algumas décadas: quando éramos ingênuos, e não antecipávamos ter nosso país entre os piores em educação. Quando os alunos ainda não usavam celular e iPhone na sala de aula, não conversavam como se estivessem no bar nem copiavam seus trabalhos da internet - o que hoje começa a ser considerado normal. Em suma, quando escola e universidade eram lugares de compostura, trabalho e aprendizado. O relaxamento não é geral, mas preocupa quem deseja o melhor para esta terra.

Há gente que acha tudo ótimo como está: os que reclamam é que estão fora da moda ou da realidade. Preparar para as lidas da vida real seria incutir nos jovens uma resignação de usuários do SUS, ou deixar a meninada "aproveitar a vida": alguém pode me explicar o que seria isso?

Lya Luft / 3 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010

África do Sul na luta pelos seus direitos.

COPA DO MUNDO

ÁFRICA DO SUL, MAIS UM PAÍS PROVANDO O QUANTO O POVO BRASILEIRO É OTÁRIO E DESPOLITIZADO.

12/04/2010

Servidores públicos iniciam greve na África do Sul: ‘sem dinheiro, sem Copa’

Mais de 100 mil trabalhadores pararam por tempo indeterminado pleiteando um aumento de 15%. Próxima passeata está marcada para quinta

Cerca de oito mil servidores públicos se reuniram na manhã desta segunda-feira (12), no centro de Joanesburgo, para iniciar uma greve geral por melhores salários. A previsão é que 130 mil trabalhadores em todo o país só voltem à ativa após receberem 15% de aumento. Na Cidade do Cabo e em Durban também aconteceram manifestações pacíficas, mas em East London houve tiros em confronto com a polícia. Um grevista de 60 anos foi atingido, mas sem gravidade, segundo a polícia. Outras sete pessoas foram presas.

A paralisação afeta, entre outros setores, hospitais públicos, coleta de lixo e linhas de ônibus (embora o transporte mais popular no país sejam as vans privadas). Os trabalhadores fizeram várias referências à Copa do Mundo, que começa exatamente daqui a 60 dias. "Sem dinheiro, sem Copa do Mundo", gritavam eles. "Enquanto nós recebemos amendoins para trabalhar, eles querem organizar uma Copa do Mundo", ironizava um cartaz.

Os grevistas marcaram o próximo protesto para quinta-feira, justamente no dia em que a Fifa abrirá a última fase da venda de ingressos para a Copa, com guichês espalhados por vários pontos do país. A paralisação, no entanto, deve comprometer a procura, já que fechará algumas ruas e dificultará o trânsito das pessoas, como aconteceu nesta segunda.

O sindicato que organizou a manifestação espera que a proximidade da Copa o ajude nas reivindicações.

"Acredito que os empregadores vão nos atender para não prejudicarmos a Copa. É hora de eles acordarem e negociarem conosco", disse o diretor do sindicato, Steve Falconer.

Sibongile Mazibuko, diretora executiva do Comitê Organizador da Copa em Joanesburgo, disse que o direito à greve deve ser respeitado mas garantiu que ela não afetará os preparativos para o Mundial.

"Este é um país democrático e as pessoas têm espaço para reivindicar o que acham justo, com ou sem Copa do Mundo pela frente. Não vamos reprimi-las, apenas esperar que esta questão se resolva rapidamente", afirmou.
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ENQUANTO ISSO NO BRASIL...
E quando um professor faz greve e o motivo já foi falado aqui e estão estampados em cada cidadão brasileiro, ouço vozes dizendo: "Mas perto de muitos trabalhadores vocês ganham bem." entre outras barbaridades... Outro dia uma aluna do Ensino Médio me perguntou por que eu não vou dar aula numa escola particular que paga bem, ou então monto a minha própria escola (perguntou-me após o fim da greve). Respondi calmamente por incrível que pareça: "primeiro meu objetivo de vida não é trabalhar para a classe burguesa e segundo eu tenho a minha própria escola, esta escola aqui é minha... Escolas públicas são nossas... Pertencem a mim, e também a você! Blá-blá-blá... Começo a crer que estes seres gostam de serem tratados como lixo.
Por hoje é só porque não está fácil lutar pelos nossos direitos neste país de merda. Quando não é a tropa de choque em cima de nós a mando do governador, é a população questionando coisas que só mostram o quanto são ignorantes e nada aprenderam até agora! Quer dizer, aprenderam SIM! Aprenderam direitinho a cartilha da classe dominante. "Ordem e Progresso". Ordem pro povo e progresso para a burguesia.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Greve de professores é suspensa em SP após votação em assembleia

Do G1, em São Paulo

Encontro ocorreu na tarde desta quinta-feira.

Novo encontro de docentes está marcado para 7 de maio.

Os professores da rede estadual de São Paulo votaram pela suspensão da greve na tarde desta quinta-feira (8), em assembleia que ocorreu no vão livre do Masp, na avenida Paulista. A paralisação ocorria há um mês.

De acordo com informações do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), a maioria votou por esse resultado. No entanto, como nenhuma das reivindicações foi atendida ainda, o movimento deve continuar ocorrendo por meio de outras ações, como a promoção de manifestações, informa a entidade.

Por conta da reunião, os professores fecharam a Avenida Paulista no sentido Consolação durante a tarde desta quinta. O ato teve início por volta das 13h30 e bloqueou as quatro faixas da via na altura da Rua Itapeva.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a via já registrava 1,6 km de lentidão às 16h. Nas últimas semanas, manifestações de professores na via causaram transtornos para o trânsito de São Paulo.

Nova reunião

Os docentes marcaram nova reunião para o dia 7 de maio. "Caso o governo desconte as faltas dos professores grevistas do pagamento, poderemos retomar a greve", disse mais cedo ao G1 Sueli Fátima de Oliveira, diretora estadual da Apeoesp.

Nesta quarta-feira (7), representantes dos professores se reuniram com o secretário da Educação do estado, Paulo Renato Souza, na sede do órgão. Foi a primeira reunião entre grevistas e a secretaria desde o início da paralisação em 8 de março.

De acordo com a Secretaria de Educação, foi proposta a abertura de uma mesa de negociações sobre as reivindicações apresentadas pelos sindicalistas desde que a greve seja suspensa. Não foi feita proposta de reajuste salarial, segundo a Apeoesp.

(Fonte: G1, São Paulo)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Professores em greve de SP planejam "bota-fora" de Serra

31 de março de 2010 • 09h17 • atualizado às 09h50

O sindicato dos professores da rede estadual paulista de ensino, o Apeoesp, deverá realizar nova assembleia nesta quarta-feira, 31 de março, às 14h, na avenida Paulista - Vão Livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Os docentes pedem abertura das negociações. De acordo com comunicado da associação, o protesto marca também o "bota-fora" do governador José Serra (PSDB). A atividade que marcará a saída do tucano deverá ocorrer às 12h. Juntamente com outros setores do funcionalismo estadual, os professores farão, antes do início da assembleia, um almoço de "gala" com o valor do vale-refeição pago pelo governo.

A greve dos professores da rede estadual de São Paulo foi aprovada em assembleia no dia 5 de março. A categoria reivindica reajuste salarial imediato de 34,3%, incorporação de todas as gratificações, plano de carreiras e concurso público. Segundo o boletim do sindicato, a falta de diáologo é o motivo da manutenção da paralisação. "A greve da categoria continua, diante da intransigência e desrespeito do governo Serra que não apresenta qualquer contraproposta à categoria", diz o sindicato.

Protesto no Rodoanel

Durante a inauguração do trecho sul do Rodoanel, na terça-feira, Serra enfrentou mais um protesto de professores munidos de apitos e cartazes com frases como "negociação já". A manifestação começou após o início do discurso do governador.

Desconto no salário

Em nota divulgada logo após o inicio da paralisação, a Secretaria de Educação afirmou que os grevistas terão desconto salarial relativo às faltas. Além disso, perderão participação no Bônus por resultados, que paga anualmente até 2,9 salários para as equipes escolares que superarem suas metas e, também, no Programa de Valorização pelo Mérito, que permite aumentos salariais de 25%.

Manifestação

Na última sexta-feira, os professores fizeram uma manifestação nos arredores do Palácio dos Bandeirantes. O protesto terminou em confronto com os policiais militares. De acordo com a PM, 19 pessoas ficaram feridas. Um participante do protesto foi preso.

Segundo a polícia, os manifestantes teriam jogado pedras contra a PM que revidou com a Tropa de Choque. Nove policiais e 10 manifestantes ficaram feridos. Os enfrentamentos teriam cessado por volta das 19h. De acordo com uma integrantes do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeosp), a confusão começou quando os manifestantes tentaram marchar em direção ao Palácio do Governo, o que gerou a reação da polícia.

"A polícia revidou com bombas, gás lacrimogêneo e balas de borracha", disse uma manifestante que não quis se identificar. De acordo com a testemunha, um professor teria sofrido uma parada cardíaca e foi socorrido pelos policiais.

A manifestação reuniu, segundo cálculos da Polícia Militar, 5 mil professores. O Apeoesp estimou a presença de 20 mil pessoas.

Antes dos atritos com a polícia, um grupo de professores conseguiu entrar no palácio e foi recebido por representantes da Casa Civil. De acordo com os docentes, a posição do governo é negociar apenas com o fim da paralisação.

(Fonte: site do Terra)

terça-feira, 16 de março de 2010

Quem sabe faz a hora e não espera acontecer...


Caminhando e cantando
e seguindo a canção
Somos todos iguais,
braços dados ou não
Os amores na mente,
as flores no chão
A certeza na frente,
a história na mão.


(Geraldo Vandré)

segunda-feira, 15 de março de 2010

A GREVE CONTINUA!!

Fonte: UDEMO
Bem que o Governo, com o apoio da imprensa, tentou enganar a população, mas não deu certo: a greve pegou !

Mais de 20.000 colegas foram à Paulista para demonstrar que a greve cresceu e que todas as regiões do Estado estão envolvidas no movimento.
Há muito tempo não se via um movimento de tamanha dimensão, envolvendo todo o Estado.
Culpa do Governo, que insiste em humilhar os educadores!
Culpa de um Governador que não gosta de professor !
Culpa de um Secretário que insiste em fazer a política do governo que de educação não tem nada !

Decisão da Assembleia : A GREVE CONTINUA !

No dia 5, éramos 10.000 na Praça; no dia 12, 30.000. Na próxima assembléia, seremos 60.000.

Calendário de Mobilização:

1. Segunda, terça e quarta ( 15, 16 e 17) : comandos unificados em todos os 645 municípios:

- visita às escolas e aos colegas que não estão em greve;
- distribuição de uma Carta Aberta à população;
- esclarecimentos à comunidade sobre o movimento;
- colocação de carro de som em frente às escolas que não estão em greve;
- pedágios de informações nos semáforos;
- elaboração de adesivos e faixas

2. Quinta-feira (18): assembleias regionais.

3. Sexta-feira (19): nova assembleia geral , às 14:00, na Paulista.

COLEGA, NOSSO MOVIMENTO JÁ É VITORIOSO !
NÃO FIQUE FORA DELE !
NOSSA UNIÃO É NOSSA FORÇA !

sexta-feira, 12 de março de 2010

São Paulo / Greve de Professores

O Portal de Notícias da Globo
12/03/10 - 16h30 - Atualizado em 12/03/10 - 17h24
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Professores mantêm greve e marcam nova assembleia para a Paulista
Manifestantes complicaram trânsito nesta tarde ao bloquear via.
Servidores estaduais estão em greve desde segunda.
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Do G1, em São Paulo
Professores ignoram recomendação da CET e bloqueiam Avenida Paulista para realizar assembleia. (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)
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Professores e funcionários da rede estadual de ensino de São Paulo decidiram manter a greve iniciada na segunda (08/03) e já marcaram uma nova assembleia para a Avenida Paulista na próxima semana, também na sexta-feira (19/03).
Às 16h30 desta sexta-feira (12), eles iniciaram uma passeata até a Praça da República, onde fica a Secretaria da Educação.
Os dois sentidos da Avenida Paulista foram bloqueados às 15h30 pelos manifestantes, que ignoraram uma recomendação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Às 16h45, a pista sentido Consolação ainda seguia interditada. A pista sentido Paraíso, no entanto, tinha apenas uma faixa com bloqueio.
A companhia havia pedido aos professores a mudança do horário e do local previstos para a manifestação para que os motoristas não fossem prejudicados. A CET chegou, inclusive, a oficiar a Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo para garantir o cumprimento de uma decisão judicial "que coíbe o sindicato solicitante de promover passeatas em vias de circulação de São Paulo, por onde trafeguem veículos automotores".
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Polícia faz barreira para conter manifestantes.
(Foto: Reprodução/TV Globo)
A Polícia Militar, no entanto, apenas monitorou o protesto, tido como pacífico. Segundo a CET, houve congestionamento na Paulista nos dois sentidos (Paraíso e Consolação).
A PM fez uma estimativa de 8 mil pessoas presentes nas proximidades do Masp, segundo a CBN.
De acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), a adesão à paralisação chegou a 80%. No entanto, nota da Secretaria de Educação do Estado mantém a informação de que menos de 1% aderiu ao movimento. O balanço da secretaria permanece inalterado desde o primeiro dia da greve.
Os professores reivindicam reajuste salarial de 34,3% e afirmam que estão com os salários congelados há cinco anos. Eles se opõem à incorporação da gratificação em três parcelas anuais.
De acordo o governo do estado, a folha de pagamentos da Secretaria de Educação cresceu 33% entre 2005 e 2009, passsando de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,4 bilhões. Em relação às gratificações, segundo a secretaria, são feitas na medida das disponibilidades orçamentárias.
Professores fecham a Avenida Paulista durante manifestação (Foto: Reprodução/TV Globo)
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No telejornal da rede globo a estimativa foi de 12 mil pessoas presentes na manifestação contra a política opressora do Governo Serra!
IMPORTANTE: Se a mídia divulgou 12 mil manifestantes com certeza havia mais que o triplo de gente, ou seja, no mínimo umas 40 mil pessoas!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Professores aprovam greve em Assembleia!

publicado em 05/03/2010 às 18h35: R7

Professores de São Paulo anunciam greve com início na semana que vem.

Categoria reivindica 34,3% de aumento; sindicato definirá no dia 12 se mantém paralisação

A Apeoesp, sindicato dos professores da rede estadual de São Paulo, anunciou na tarde desta sexta-feira (5) que a categoria entrará em greve por uma semana, a partir do dia 8 de março. Entre outros pontos, a categoria reivindica 34,3% de reajuste salarial.

A decisão foi tomada durante assembleia, que contou com 10 mil profissionais de cinco categorias, na praça da República, região central da capital paulista, desde às 15h.

O grupo criticou a forma como o governo propôs a incorporação da gratificação por atividade de magistério: três parcelas anuais - segundo eles, o salário dos docentes de 1ª a 4ª série sofrerá um acréscimo de 0,27% e o dos da 5ª série do fundamental ao ensino médio aumentará 0,59%.

A expectativa do sindicato é que três professores por período escolar paralisem suas atividades durante esse período, que corresponde em até 50 mil educadores em todo o Estado durante esse período. Uma nova assembleia será feita no dia 12 de março para verificar se os professores voltam ou não a dar aulas nas escolas.

Até o momento, a Secretaria de Estado da Educação ainda não havia informado quais medidas irá tomar diante do anúncio de greve.

SPTV 1ª e 2ª EDIÇÃO - SUGESTÃO PARA REPORTAGEM - 05/03/2010


Informar aos telespectadores o que realmente está acontecendo na Educação do Estado de São Paulo!

Professores realizam hoje uma paralisação na Pça da República onde exigimos:


  • Garantia do Reajuste Salarial e incorporação das gratificações, com extensão aos aposentados;

  • Revogação imediata das leis 1093, 1094 e 1097/2009! Fim das "provinhas";

  • Estabilidade, de fato, para todos os OFA's e concurso público para os ingressantes;

  • Diminuição imediata do número de alunos por sala. 25, no máximo, no EF e Médio!;

  • Fim da municipalização!;

  • Melhores condições de trabalho e saúde nas escolas;

  • Garantia de creches para todos os filhos de trabalhadores...;

  • Iamspe e saúde pública de qualidade;

  • ABAIXO a lei da falta médica!;

  • Não ao trabalho aos sábados;

  • Garantia de emprego a todos, com salário e dignidade!
O que mais me entristece além de tudo que passamos com este governo opressor, é a falta de comprometimento da mídia em divulgar o que realmente acontece!

Todas as reportagens feitas com o governador e outros representantes do governo são tendenciosas e faltam com a verdade!

Por que não levar a Tv um professor que represente a nossa classe para esclarecer de forma simples e objetiva o que realmente anda acontecendo no ensino do nosso Estado?

E por que não dar mais atenção às nossas lutas com reportagens que lidam com os fatos na íntegra?

Não queremos uma “notinha” do que aconteceu hoje, por exemplo. Precisamos reafirmar nossa crença na tal democracia através de boas notícias onde os fatos são mostrados e tratados conforme merecem!

Agradeço desde já,
Daniela Borali

PS: Preciso voltar a crer que a "Ditadura" realmente acabou!!!

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Resposta da Central de jornalismo Globo

Dani

Agradecemos sua interação e informamos que todas as sugestões de pautas recebidas em nossa Central de Atendimento são encaminhadas às equipes.
A seleção e a produção das matérias obedecem a critérios jornalísticos próprios de cada editoria.

Cordialmente
Rede Globo - A gente se vê por aqui.
falecom@redeglobo.com.br

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Lista completa dos safados que estão destruindo a educação no Estado de São Paulo

*
Governo aprova projeto na calada da madrugada contra os professores do Estado.
Aldo dos Santos (*) . - 30/10/2009
*
Em reunião realizada no dia 28 de Outubro de 2009 em pleno dia do funcionalismo, o tema central do debate foi o ataque que o Secretário Paulo Renato e o governador José Serra vêm imputando aos servidores estaduais, e em particular os Educadores do Estado de São Paulo.

Nas falas foram encaminhadas várias propostas, e nós apresentamos uma proposta de que o RE votasse contrária a implementação do PLC19, 20 e 29, que já se transformaram em leis. Essas leis, objeto de profundo debate, são uma humilhação a educação brasileira.

Foi também aprovado, que devemos exigir da Diretoria Estadual da APEOESP uma assembléia extraordinária para que possamos aprovar resoluções no sentido de enfrentar efetivamente este governo.

A nossa arma sempre tem sido as greves, que apesar dos desgastes decorrentes é o único meio eficaz para barrar o governo tucano insensível para com os educadores do Estado. Em minha opinião, os professores estão em polvorosa, pois agora caiu a ficha por parte dos educadores e é urgente que façamos algo de concreto.

Outro ponto que chamou a atenção dos presentes foi a votação dos deputados Estaduais, cujo resultado foi apertadíssimo e a votação dos deputados de SBC, foi da seguinte maneira:

· ALEX MANENTE-PPS: votou com o governo e contra os professores.
· ORLANDO MORANDO-PSDB e ANA DO CARMO-PT: ausentaram-se.

A categoria tem o direito de exigir de seus parlamentares a devida transparência e coerência para com a educação do Estado. Vejam abaixo como votaram os Deputados Estaduais sobre o PLC 29 que, juntamente com o Executivo tem provocado profundo ataque a nossa categoria.

As eleições ocorrerão no ano que vem. É preciso dar um basta ao governo e seus representantes para que nunca mais desrespeitem os educadores do nosso estado.

Estes deputados votaram SIM ao PLC 29
e contra os professores
DEM
· Edmir Chedid
· Estevam Galvão
· João Barbosa de Carvalho
· Milton Leite Filho

PDT
· José Bittencourt
· Rogério Nogueira

PMDB
· Baleia Rossi
· Jorge Caruso
· Uebe Rezeck
· Vanessa Damo

PP
· Mozart Russomano

PPS
· Alex Manente
· Davi Zaia
· Roberto Morais
· Vitor Sapienza

PRB
· Gilmaci Santos
· Otoniel Lima

PSB
· Ed Thomas
· Jonas Donizette
· Luciano Batista
· Marco Porta
· Vinícius Camarinha

PSC
· Said Mourad

PSDB
· Analice Fernandes
· Bruno Covas
· Cassio Navarro
· Celino Cardoso
· Celso Giglio
· Fernando Capez
· Geraldo Vinholi
· Hélio Nishimoto
· José Augusto
· João Caramez
· Maria Lucia Amary
· Mauro Bragato
· Milton Flávio
· Paulo Barbosa
· Pedro Tobias
· Roberto Massafera
· Rodolfo Costa Silva
· Samuel Moreira
· Vaz de Lima

PTB
· Campos Machado
· Roque Barbieri
· Waldir Agnello

PV
· Camilo Gava
· Edson Giriboni
· Reinaldo Alguz

Estes deputados votaram
com os professores
PSOL
· Carlos Giannazi
· Raul Marcelo

PCdoB
· Pedro Antonio Bigardi

PDT
· Olímpio Gomes

PT
· Adriano Diogo
· Ana Perugini
· Antônio Mentor
· Beth Sahão
· Carlinhos Almeida
· Donisete Braga
· Enio Tatto
· Fausto Figueira
· José Cândido
· José Zico Prado
· Marcos Martins
· Maria Lúcia Prandi
· Roberto Felício
· Rui Falcão
· Simão Pedro
· Vanderlei Siraque
· Vicente Cândido

Fonte: Secretaria de Comunicações (apeoesp)
*
Esperamos que o Sindicato divulgue no estado os deputados que votarem contra a nossas lutas e reivindicações, pois numa hora tão decisiva os representantes do povo ou votam contra ou se ausentam sem a devida justificativa.
*
Lutar e reagir é preciso!!!
*
(*) Aldo Santos é Sindicalista, Coordenador da corrente Política TLS,Presidente da Associação dos professores de filosofia do Estado de São Paulo, membro da Executiva Estadual e Presidente do
Psol SBC(18/10/09)
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Bom pessoal, segue a lista de todos os SAFADOS que votaram contra a educação em 2009 no Estado de São Paulo e, consequentemente, para o ano de 2010.

Foram esses que aprovaram o PLC 29.

Você ainda vai votar neles?

1. AFONSO LOBATO (PV)
2. ALDO DEMARCHI (DEM)
3. ALEX MANENTE (PPS)
4. ANALICE FERNANDES (PSDB)
5. ANDRÉ SOARES (DEM)
6. BALEIA ROSSI (PMDB)
7. BRUNO COVAS (PSDB)
8. CAMILO GAVA (PV)
9. CAMPOS MACHADO (PTB)
10. CASSIO NAVARRO (PSDB)
11. CELIA LEÃO (PSDB)
12. CELINO CARDOSO (PSDB)
13. CELSO GIGLIO (PSDB)
14. CONTE LOPES (PTB)
15. DAVI ZAIA (PPS)
16. EDMIR CHEDID (DEM)
17. EDSON GIRIBONI (PV)
18. ESTEVAM GALVÃO (DEM)
19. FELICIANO FILHO (PV)
20. FERNANDO CAPEZ (PSDB)
21. HAIFA MADI (PDT)
22. HÉLIO NISHIMOTO (PSDB)
23. JOÃO BARBOSA DE CARVALHO (DEM)
24. JOÃO CARAMEZ (PSDB)
25. JOÃO MELLÃO NETO (DEM)
26. JONAS DONIZETTE (PSB)
27. JORGE CARUSO (PMDB)
28. JOSÉ AUGUSTO (PSDB)
29. JOSÉ BITTENCOURT (PDT)
30. GILMACI SANTOS (PRB)
31. REINALDO ALGUZ (PV)
32. ROBERTO MORAIS (PPS)
33. ROGÉRIO NOGUEIRA (PDT)
34. SAID MOURAD (PSC)
35. SAMUEL MOREIRA (PSDB)
36. UEBE REZECK (PMDB)
37. LELIS TRAJANO (PSC)
38. LUCIANO BATISTA (PSB)
39. MARCO PORTA (PSB)
40. MARIA LUCIA AMARY (PSDB)
41. MAURO BRAGATO (PSDB)
42. MILTON FLÁVIO (PSDB)
43. MILTON LEITE FILHO (DEM)
44. MOZART RUSSOMANNO (PP)
45. ORLANDO MORANDO (PSDB)
46. OTONIEL LIMA (PTB)
47. PAULO A. BARBOSA (PSDB)
48. ROBERTO MASSAFERA (PSDB)
49. RODOLFO COSTA SILVA (PSDB)
50. ROQUE BARBIERE (PTB)
51. VANESSA DAMO (PV)
52. VAZ DE LIMA (PSDB)
53. VITOR SAPIENZA (PPS)
54. WALDIR AGNELLO (PTB)

domingo, 20 de dezembro de 2009

O sistema educacional e a política de exclusão do governador José Serra.

Hoje fui fazer a tal prova instituída pelo incompetente e mau caráter governador de São Paulo!
José Serra e sua cúpula maldita querem mostrar a sociedade que o problema da escola, violência e todos os males que ocorrem no âmbito educacional são culpa dos professores e diretores que possuem má formação, falta de compromisso e blá blá blá...
Além disto, o senhor governador aprovou na calada da noite, sem consultar a classe docente a PLC 29 onde institui o sistema de promoção para os integrantes do magistério visando à exclusão de grande parte dos professores da rede...


Aproveitando que o meu blog é visto e acompanhado por pessoas de vários lugares do mundo informo através deste desabafo simples, mas verdadeiro e extremamente pertinente minha tristeza e total indignação com o sistema político e social brasileiro e principalmente meu repúdio ao atual governador do meu Estado: São Paulo e sua política educacional excludente, falida e absurdamente corrupta!
Tenho vergonha dos políticos do Brasil, principalmente da atual gestão que atua destruindo o que nem fora construído num Estado onde se tem o maior PIB do país.
Moro num país “democrático”, mas que é só de fachada! A mídia e alguns capitalistas mandam e desmandam, manipulam informações e vendem mentiras ao povo através da imprensa...
Não tenho medo, mas pânico em pensar que este tal de Serra poderá ser eleito presidente da República na próxima eleição!
*
(Daniela Borali)
*
PS: "Educando na Ação"- Blog muito interessante que aborda questões educacionais: http://educandonaacao.blogspot.com/

PROFESSORES (AS) CHORANDO!!!

Os dias 13 e 20 de dezembro de 2009 ficarão na memória dos professores como datas de flagrante desrespeito pedagógico e humilhação aos educadores, que ao longo de suas histórias dedicaram-se e serviram ao governo do Estado, cuja recompensa tem sido o desrespeito, a humilhação e a ofensa a dignidade humana.

Milhares de professores foram submetidos à prova eliminatória, cujo objetivo central não é a promoção para o emprego e sim para o desemprego ou subemprego.

O governo no melhor estilo de “dividir para governar”, dividiu os educadores em categorias (f, L, O...), quebrando a espinha dorsal do movimento sindical, nos velhos tempos liderados pela APEOESP, que agora se limita a fazer bravata, dizendo que o ano letivo não vai começar, lavando as mãos como Pilatos em relação ao desemprego e o subemprego dos OFAs (categoria F) e as demais categorias que o governo introduziu. Normalmente se faz uma prova para o ingresso no serviço público ou admissão na iniciativa privada. No Estado de São Paulo foi diferente: ao não atingir a pontuação exigida, o resultado da prova servirá e será usado para a promoção do desemprego ou subemprego, embora a diretoria da APEOESP chame isso de estabilidade. Na pratica, o professor da categoria F que não obtiver a nota exigida, ganhara por atividades auxiliares nas unidades escolares o correspondente a 12 aulas (Estabilidade da fome), os demais que são eventuais ou lecionam mais recentemente, fizeram a prova e caso não acertem o exigido por lei ficarão impedidos de lecionar em 2010.

No início do ano 2010, será a vez dos efetivos que serão submetidos a esse ritual de tortura, coisa que nenhuma outra categoria é submetida anualmente com esse tipo de avaliação, como critério de evolução.

O governo acabou assim com a carreira do magistério, congelou o salário de mais de 90% categoria e a diretoria do Sindicato se limita a fazer bravata dizendo que o ano letivo não vai iniciar. Lamentavelmente a oposição alternativa – MTS/PSTU - embora faça a crítica ao governo, também referenda essa política, ao passo que no dia da prova (20/12/2009) distribuíram panfletos com os seguintes dizeres: “ Em 2010 nada será como antes: Vamos dar o troco!... Vamos à luta já no início do ano letivo!”, ou seja, os participantes da prova foram preteridos até mesmo por setores da oposição alternativa que a exemplo da diretoria central lavaram as mãos, transferindo a “luta” para o ano que vem, legitimando assim a política dos tucanos no poder.

Dia 13 e 14 acompanhamos vários relatos de sofrimento, humilhação e choro de colegas que estão desamparados, pois o governo humilha de um lado e o sindicato se desobriga dessa demanda, jogando ou transferindo para o ano que vem eventuais lutas, que em minha opinião não passa de justificativas e legitimação do atual estado de penúria que a categoria vem passando, num pacto explícito de políticas combinatórias em nível nacional e estadual.

É preciso reação dos educadores para que possamos nos reunir ainda esse ano e exigir do governo que nenhum professor seja prejudicado com essas provas, de caráter subjetivo e de fins duvidosos. Hoje no dia 20, vários professores não tiveram tempo suficiente para concluir efetivamente a referida prova, tendo que entregar apressadamente. Nos corredores nos deparamos com professoras chorando e desabafando sobre o sóbrio fim de ano que está longe de ser um feliz ano novo.

Aberração maior se deu no fato de que os professores que realizaram suas provas sequer puderam trazer o caderno de prova/resposta, para eventual contestação e quiçá posteriormente ser objeto de recurso. Ratificando assim os tempos de repressão onde inexistia o direito ao contraditório e à ampla defesa.

A única saída é nossa organização e união em torno dos que estão sendo vítimas desse complô do governo com o “consentimento” da diretoria do sindicato, para que possamos passar esse sindicato a limpo, lutando e conquistando nossos direitos, bem como derrotando esse governo que é o responsável pelo fracasso da educação no Brasil, embora insista em transferir para os professores a sua incompetência ao longo de suas administrações.

Este é mais um episódio que retrata a angústia, o sofrimento e o desespero que cotidianamente o professores (as) são submetidos no ambiente escolar. Até quando?

Lutar é preciso!!!

Aldo Santos.
Sindicalista, presidente da Associação dos Professores de filosofia do Estado de São Paulo, coordenador da Corrente política TLS, e membro da Executiva Estadual e membro do Diretório Nacional do Psol (20/12/2009)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Decreto simboliza ilhas de Preconceito no Estado.

No dia 20 de novembro de 2009 será feriado em dezenas de municípios do Brasil inteiro, fruto do movimento organizado e da consciência da tragédia da escravidão perpetrada contra os negros no mundo inteiro, e em particular na América.
O governo do Estado de São Paulo publica no diário oficial o Decreto 55.012 de 10/11/09, onde Suspende o expediente nas repartições públicas estaduais no dia 20 de novembro de 2009, nas situações que especifica:
José serra, governador do Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais e a vista da lei municipal nº 130707, de 7 de janeiro de 2004, dia da consciência negra.

DECRETA:
Artigo 1- Fica suspenso às atividades nas repartições públicas Estaduais, sediadas no município da Capital do Estado no dia 20 de novembro de 2009.

Artigo 2- Aplica-se o disposto no artigo anterior as repartições públicas estaduais, sediadas em municípios do Estado que tenha editado lei instituindo como feriado municipal o dia 20 de novembro, dia da consciência negra.

Artigo 3- As repartições públicas Estaduais que prestam serviços essenciais e de interesse público e que tenha o funcionamento ininterrupto, terão expediente normal no dia mencionado nos artigos anteriores.

“Artigo 4- Esse decreto entra em vigor na data de sua publicação.”

Na prática, tanto o governo Serra, quanto o governo Lula, estão na contra mão da história, uma vez que os mesmos deveriam dar exemplo de respeito, acolhimento e compromisso com as demandas do povo negro organizado.

O Presidente deveria encaminhar uma PEC ao Congresso Nacional instituindo o Feriado Nacional no dia 20 de Novembro em memória a Zumbi dos Palmares, até porque, ele é nosso Herói Nacional, e não poder ficar aprisionado à burocracia, a oficialidade do governo federal, ao descaso do governo Estadual e as manobras políticas em vários municípios que ainda existem o feriado Municipal.

Em São Paulo, o Governador Serra deveria acolher o Projeto do Deputado Estadual Raul Marcelo do Psol que institui o feriado Estadual no dia 20 de novembro, dia da consciência negra, evitando assim, a publicação de decretos que por si só revelam o preconceito Racial existente na sociedade brasileira, ao admitir que algumas cidades podem por força de lei, rememorar a data em que Zumbi dos Palmares foi assassinado pelos detentores do poder, enquanto em outras cidades, os senhores de engenho são insensíveis, cegos, surdos e mudos diante do avanço, da luta e da resistência do movimento negro organizado .

Enquanto os municípios elaboram leis instituindo o feriado municipal em dezenas de cidade no Brasil inteiro, esses mandatários, (LULA/SERRA) estão na prática instituindo uma ilha de preconceito pelo Brasil afora, pois deveriam ser os primeiros a dar exemplo de compromisso para com a Luta histórica do movimento negro no Brasil.

O Governo José Serra ainda faz demagogia, na medida em que reconhece “bondosamente” a existência do feriado no dia 20 de novembro nas cidades onde o feriado já foi aprovado, (graças à luta e resistência dos movimentos na base), porém, ele sabe que em grande parte das escolas estaduais, não será feriado, pois com a reposição imposta pelos agentes do seu governo, em decorrência da pandemia da gripe HINI.

A sensação generalizada é que nós professores ainda não conquistamos nossa carta de alforria.

É fundamental que nos organizemos ainda mais para enfrentar esse e outros debates em âmbito municipal, apresentando projetos via câmara municipal ou via projeto de iniciativa popular, a exemplo de cidades cujo feriado já é uma realidade.

Em nível Federal, devemos questionar o real compromisso de Lula para com o movimento negro brasileiro, que até o momento, não resolveu essa parada sobre o feriado Nacional. Também é necessário que façamos o debate sobre o conjunto das bandeiras de luta do Movimento negro, que não se limita apenas ao feriado de 20 de novembro.

Concomitantemente, ao não tencionarmos sobre essa conquista mesmo que atomizada ( do Feriado existente ), corremos o risco de retroceder diante dos interesses e compromissos dos setores empresariais, via Câmaras municipais que tentam negar e até descaracterizar a manifestação popular do povo negro através da aprovação das leis nas mais variadas cidades do nosso País.

Em algumas cidades já existem manobras para descaracterizar o dia 20 de Novembro, quando alteram a lei, desconsiderando da data referência, transferindo-a para os domingos, burlando a lei aprovada, bem como, descaracterizando e desconstruindo a simbologia do dia da consciência negra e o significado da tragédia da escravidão.

Devemos avançar com a implantação da Capoeira na grade curricular das escolas públicas e privadas, bem como, exigimos das Prefeituras a criação de Secretarias de gênero e Etnia, para a implementação de políticas voltadas diretamente às demandas do povo negro.

É oportuno que realizemos atos públicos em frente às faculdades públicas e ou autarquias que ignoram o debate e a implementação das políticas de cotas, bem como, exigimos do Governo Federal as reparações históricas dos bens e direitos confiscados do povo negro ao longo da nossa história.

Devemos ainda reapresentar no Congresso Nacional um novo estatuto da igualdade racial, elaborado pelo movimento com ampla participação popular, em consonância com os Deputados sensíveis e comprometidos com as nossas lutas. Nesse contexto, também é determinante a nossa resistência contra a criminalização dos movimentos sociais e a faxina étnica cometida contra os jovens pobres e o nosso povo negro.
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O Fim do racismo é preciso!!!
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Aldo Santos - Sindicalista, Coordenador da corrente Política TLS, Presidente da Associação dos Professores de Filosofia do Estado de São Paulo, membro da Executiva Estadual e Presidente do Psol em SBC. (12/11/09)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Inquisição: na Faculdade Uniban!!!

Pichação em muro da Faculdade Uniban no ABC fala em preconceito

Uma pichação em um muro do campus da Universidade Bandeirante (Uniban) de São Bernardo do Campo, no ABC, chamava a atenção de quem passava pelo local na manhã desta segunda-feira (9). Segundo alunos, a inscrição ‘Faculdade preconceito’ não estava no local até o fim da semana passada. No fim de semana, a Uniban anunciou a expulsão de Geisy Villa Nova Arruda, estudante que teve que ser escoltada pela Polícia Militar após causar alvoroço com um vestido curto na universidade. O assessor jurídico da Uniban, Décio Lecioni Machado, disse ao G1 que ainda não tinha conhecimento da pichação (Foto: Juliana Cardilli/G1)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Educação.

(...) Numa educação massificada que impede a criatividade, os diferentes são um fator de perturbação. O sistema tem de funcionar sem que se introduza nada que o contradiga. O sistema não admite exceções e, se as encontra, as elimina. Porque, se você considera a exceção como algo positivo, vê se obrigado a revisar o sistema.

(José Saramago)

sábado, 24 de outubro de 2009

Paulo Renato e Serra, Inimigos da Educação.

Não tem limite a ofensiva do governo que imputa aos Professores do Estado de São Paulo o fracasso de sua política educacional ao longo dos governos tucanos. Num primeiro momento, eles elegeram os Admitidos em Caráter Temporário (ACTs), como bode expiatório do fracasso generalizado da Educação conforme demonstra os mais variados índices de avaliação.
Essa divisão, gerou protestos, estimulou greves, passeatas, mais o governo na tentativa de justificar seu próprio insucesso, insiste na linha de criminalizar pedagogicamente os educadores, responsabilizando-os pela péssima qualidade educacional e todas as mazelas decorrentes.
Os professores além da humilhação sofrida no cotidiano escolar (submetidos a todo tipo de violência, assédio moral, e outros ), o governo desconstrói “o ser do educador”, precariza as condições de trabalho e salário, para justificar a imposição de novas políticas elitistas, divisionistas, ainda exterioriza e reforça sua ojeriza pelos educadores estaduais.
No ano de 2008, instituíram a provinha que finalmente serviu para desnudar a incompetência do governo que foi incapaz de aplicar uma prova com a devida lisura que o processo requer. Além de serem derrotados na política da provinha Serrana, a justiça não teve outro caminho a não ser a anulação da referida prova, mantendo o critério anterior para o processo de atribuição de aulas .
Além dessa ofensiva, ele decretou a doença via imperativo da lei, definindo quantas vezes o professor poderia ficar doente durante o ano e instituiu o bônus como forma de aliciamento educacional, sem assegurar o efetivo aumento salarial e a necessária valorização do magistério.
A secretária da educação anterior a Paulo Renato, abusou e usou do poder de secretária para ofender professores e instituições e da mesma forma que a arrogância e a prepotência alcançou as alturas, foi grande também sua queda, pois, a categoria numa efetiva ofensiva foi às ruas e a exemplo de secretários anteriores levou-os ao desgaste e a conseqüente exoneração por parte do responsável Maior pela deseducação no Estado, o Governador José Serra.
Num vacilo da Direção majoritária do sindicato, que poderia ter resistido, e derrotado esse governo, o governo avança de forma implacável “liberando as maldades contidas na caixa de pandora educacional dos tucanos, onde sequer a esperança esperou” .
Aprovaram o PLC 19 e 20, e agora aprovam o PLC 29, sacramentando em linhas gerais o novo perfil que pode ser denominado de “ professor padrão ” no maior estado brasileiro, que certamente vai influenciar outros setores da educação nacional.
Os ACTs, depois de lecionarem 20 a 30 anos , terão que provar se sabem ou não lecionar, e para isso desconsideram o papel das instituições educacionais (faculdades e universidades públicas e privadas) que tem a atribuição de habilitar os profissionais da educação.
Convém salientar que os admitidos pela lei 500/74, não entraram pela porta dos fundos e em nossa opinião deveriam ter o direito assegurado, (Estabilidade efetiva e não de apenas 12 aulas), depois de trabalharem mais de 35anos sob a guarida de uma lei estadual.
O que de fato se pretende é a imposição doutrinaria da escola do PSDB como critério seletivo e de ilação político/ideológico, objetivando fazer a triagem dos futuros concursados, bem como, viabilizar as provas anuais para aferir o mérito exigido pelo PLC 29 que foi aprovado na calada da madrugada do dia 21/10/09.
Com a aprovação desse projeto, eles vão criar várias redes e evidenciar o perfil dos educadores nas mais variadas modalidades: Teremos a categoria dos profissionais Obsoletos, (Professores que por ventura não consigam passar na referida provinha).
Os descartáveis, que trabalha um ano e serão dispensados e deletados, Os (professores padrão), que comporão o plantel dos 20 % que a lei assegura para fins de promoção, e o baixo-clero (80%) que ficarão de cabeça baixa, porque serão impedidos por lei de ter uma carreira assegurada, com evolução funcional, pois o funil é seletivo, preconceituoso, além de decretar o fim da isonomia salarial.
Na verdade, a criminalização dos professores vai continuar em novas modalidades. Na Prática estamos na “faixa de gaza educacional”, onde somos detonados e destruídos, e nossa reação está limitada e voltada para um parlamento viciado e comprometido com o governo inimigo e opressor.
Fazemos um chamado aos professores OFAs, (ativos e inativos), estáveis, efetivos e aposentados que serão vitimas da nova lei aprovada, bem como, a diretoria dos sindicatos para que possamos a luz da realidade posta retomarmos o caminho da luta e da resistência efetiva. O Ponto alto do desrespeito e da humilhação para com o sindicato e os professores foi o episódio que ocorreu no último CER (20/10/09), onde o sindicato tinha alugado o espaço para a realização da referida reunião e o governo desalugou e desalojou os professores que tiveram que improvisar e realizar a reunião do Conselho estadual de Representantes numa praça pública, próximo a assembléia legislativa do Estado.
Como se não bastasse a agressão acima, mais uma vez fomos recepcionados no portão de entrada do poder legislativo pela tropa de Choque de Serra e dos deputados que tripudiam encima da fragilidade demonstrada pelo maior sindicato da América Latina (APEOESP).
O palco da nossa ação e resistência não pode ser o parlamento burguês, pela sua natureza governista e pela sua capacidade de controle sobre os educadores que entram nessa lógica e no jogo deles, uma vez que o campo, a bola, o juiz, os jogadores e o técnico são nossos adversários e inimigos da nossa classe.
Diante da política de terra arrasada construída pelo governo e seus asseclas, não resta outra alternativa senão irmos a luta contra a destruição da educação e dos educadores , pois mais uma vez nos deparamos com um secretário inimigo da Educação e dos Professores .
Não resta dúvida que devemos retomar e divulgar, a exemplo de outros momentos correlatos a insígnia de: “Paulo Renato e Serra, inimigos da educação e dos professores (as).
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Reagir é preciso!!!
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(Aldo Santos - Sindicalista, coordenador da corrente política TLS, Membro da Executiva Estadual e Presidente do Psol SBC (24/10/09)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Férias são prorrogadas em escolas estaduais de SP.

28/07/09 - 12h51 - Atualizado em 28/07/09 - 14h21
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Por conta de nova gripe, férias são prorrogadas em escolas estaduais de SP
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Aulas devem começar apenas no dia 17 de agosto.
Suspensão foi recomendada pela Secretaria da Saúde.

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quarta-feira, 1 de julho de 2009

30/06/2009 - 09h57
"Trabalho há mais de 30 anos com escola que não tem aula, série e prova, e dá certo", diz educador português
Simone Harnik
Em São Paulo
Idealizador da Escola da Ponte, em Portugal, instituição que, em 1976, iniciou um projeto no qual os estudantes aprendem sem salas de aula, divisão de turmas ou disciplinas, o educador português José Pacheco afirma que as escolas tradicionais são um desperdício para os estudantes e os professores.
"O que fiz por mais de 30 anos foi uma escola onde não há aula, onde não há série, horário, diretor. E é a melhor escola nas provas nacionais e nos vestibulares", diz. "Dar aula não serve para nada. É necessário um outro tipo de trabalho, que requer muito estudo, muito tempo e muita reflexão."
O formato tradicional das escolas está ultrapassado? Opine
Aos 58 anos, o professor que classifica autores como Jean Piaget como "fósseis", fez uma peregrinação pelo país. No trabalho de prospecção de boas iniciativas em colégios brasileiros, Pacheco só não conheceu instituições do Acre e do Amapá e diz ter somado cerca de 300 voos no último ano.

Com a experiência das viagens, escreveu dois livros de crônicas: o "Pequeno Dicionário de Absurdos em Educação", da editora Artmed, e o "Pequeno Dicionário das Utopias da Educação", da editora Wak. Aponta ainda que a educação brasileira não precisa de mais recursos para melhorar: "O Brasil tem tudo o que precisa, tem todos os recursos e os desperdiça". Veja a entrevista:UOL Educação - Em suas andanças pelo país, qual o absurdo que mais chamou sua atenção?

Pacheco - O maior absurdo é que a educação do Brasil não precisa de recursos para melhorar. O Brasil tem tudo o que precisa, tem todos os recursos e os desperdiça.
UOL Educação - Desperdiça como?
Pacheco - Pelo tipo de organização. A começar pelo próprio Ministério da Educação. Eu brinco, por vezes, dizendo que o melhor que se poderia fazer pela educação no Brasil era extinguir o Ministério da Educação. Era a primeira grande política educativa.

UOL Educação - Qual o problema do ministério?
Pacheco - Toda a burocracia do Ministério da Educação que se estende até a base, porque a burocracia também existe nas escolas, à imagem e semelhança do ministério. No próprio ministério, o contraste entre a utopia e o absurdo também existe. Conheço gente da máxima competência, gente honesta. O problema é que, com gente tão boa, as coisas não funcionam porque o modo burocrático vertical não funciona. É um desperdício tremendo.

UOL Educação - Como resolver?
Pacheco - Teria de haver uma diferente concepção de gestão pública, uma diferente concepção de educação e uma revisão de tudo o que é o trabalho.

UOL Educação - O que teria de mudar na concepção de educação?
Pacheco - O essencial seria que o Brasil compreendesse que não precisa ir ao estrangeiro procurar as suas soluções. Esse é outro absurdo. Quais são hoje os autores que influenciam as escolas? Vygotsky [Lev S. Vygotsky (1896-1934)], Piaget [Jean Piaget (1896-1980)]? Não vejo um brasileiro. Mas podem dizer: "E Paulo Freire?". Não vejo Paulo Freire em nenhuma sala de aula. Fala-se, mas não se faz.Identifiquei, nos últimos anos, autores brasileiros da maior importância que o Brasil desconhece. Esse é outro absurdo. Quem é que ouviu falar de Eurípedes Barsanulfo (1880-1918)? De Tomás Novelino (1901-2000)? De Agostinho da Silva (1906-1994)? Ninguém fala deles. Como um país como este, que tem os maiores educadores que eu já conheci, não quer saber deles nem os conhece?

Há 102 anos, em 1907, o Brasil teve aquilo que eu considero o projeto educacional mais avançado do século 20. Se eu perguntar a cem educadores brasileiros, 99 não conhecem. Era em Sacramento, Minas Gerais, mas agora já não existe. O autor foi Eurípedes Barsanulfo, que morreu em 1918 com a gripe espanhola. Este foi, para mim, o projeto mais arrojado do século 20, no mundo.
UOL Educação - O que tinha de tão arrojado?

Pacheco - Primeiro, na época, era proibida a educação de moços e moças juntos. Só durante o governo Getúlio Vargas é que se pôde juntar os dois gêneros nos colégios. Ele [Barsanulfo] fez isso. Ele tinha pesquisa na natureza, tinha astronomia no currículo oficial. Não tinha série nem turma nem aula nem prova. E os alunos desse liceu foram a elite de seu tempo. Tomás Novelino foi um deles e Roberto Crema, que hoje está aí com a educação holística global, foi aluno de Novelino.
UOL Educação - Por que o senhor fala desses autores?

Pacheco - Digo isso para que o brasileiro tenha amor próprio, compreenda aquilo que tem para que não importe do estrangeiro aquilo que não precisa. É um absurdo ter tudo aqui dentro e ir pegar lá fora.
UOL Educação - Qual foi a maior utopia que o senhor viu?

Pacheco - O Brasil é um país de utopias, como a de Antônio Conselheiro e a de Zumbi dos Palmares. Fui para a história, para não falar em educação. Na educação, temos Agostinho da Silva, que é um utópico coerente, cuja utopia é perfeitamente viável no Brasil. Ou seja, é possível ter uma educação que seja de todos e para todos. O Brasil, dentro de uns 30 ou 40 anos, será um país bem importante pela educação. São os absurdos que têm de desaparecer, para dar lugar à concretização das utopias. Acredito nisso, por isso estou aqui.
UOL Educação - Os professores são resistentes às mudanças?
Pacheco - Os professores são um problema e são a solução. Eu prefiro pensar naqueles professores que são a solução, conheço muitos que estão afirmando práticas diferentes.
UOL Educação - Práticas diferentes como a da Escola da Ponte?
Pacheco - Não são "como", mas inspiradas, com certeza. São práticas que fazem com que a escola seja para todos e proporcione sucesso para todos.
UOL Educação - Dentro da escola tradicional, onde ocorre o desperdício de recursos?
Pacheco - Se considerarmos o dinheiro que o Estado gasta por aluno, daria para ter uma escola de elite. Onde o dinheiro se desperdiça? Por que em uma escola qualquer, que tem turmas de 40 alunos, a relação entre o número de professores e de alunos é de um para nove? Por que os laudos e os atestados médicos são tantos? Porque a situação que se criou nas escolas é a do descaso. Esse é um absurdo.
UOL Educação - Onde mais ocorre o desperdício nas escolas?
Pacheco - O desperdício de tempo também é enorme em uma aula. Pelo tipo de trabalho que se faz, quando se dá aula, uma parte dos alunos não tem condições de perceber o que está acontecendo, porque não têm os chamados pré-requisitos, e se desliga. Há um outro conjunto de crianças que sabem mais do que o professor está explicando - e também se desliga. Há os que acompanham, mas nem todos entendem o que o professor fala. Em uma aula de 50 minutos, o professor desperdiça cerca de 20 horas. Se multiplicarmos o número de alunos que não aproveitam a aula pelo tempo, vai dar isso.
O desperdício maior tem a ver com o funcionamento das escolas. Os professores são pessoas sábias, honestas, inteligentes e que podem fazer de outro modo: não dando aula, porque dar aula não serve para nada. É necessário um outro tipo de trabalho, que requer muito estudo, muito tempo e muita reflexão.
UOL Educação - As famílias não estão acostumadas com escolas que não têm classe, professor ou disciplinas. Querem o conteúdo para o vestibular. Como se rompe com esse tipo de mentalidade?
Pacheco - Pode-se romper mostrando que é possível. Eu falo do que faço, e não de teorias. O que fiz por mais de 30 anos foi uma escola onde não há aula, onde não há série, horário, diretor. E é a melhor escola nas provas nacionais e nos vestibulares. Justamente por não ter aulas e nada disso.
UOL Educação - Por que uma escola que não tem provas forma alunos capazes de ter boas notas em provas e concursos?
Pacheco - Exatamente por ser uma escola, enquanto as que dão aulas não são. As pessoas têm de perceber que não é impossível. E mais, que é mais fácil. Posso afirmar, porque já fiz as duas coisas: estive em escolas tradicionais, com aulas, provas, com tudo igualzinho a qualquer escola; e estive também 32 anos em outra escola que não tem nada disso. É mais fácil, os resultados são melhores.
UOL Educação - Na concepção do senhor, o que é uma boa escola?
Pacheco - É a aquela que dá a todos condições de acesso, e a cada um, condições de sucesso. Sucesso não é só chegar ao conhecimento, é a felicidade. É uma escola onde não haja nenhuma criança que não aprenda. E isso é possível, porque eu sei que é. Na prática.
UOL Educação - O professor que está em uma escola tradicional tem espaço para fazer um trabalho diferente? O senhor vê espaço para isso?
Pacheco - Não só vejo, como participo disso. No Brasil, participei de vários projetos onde os professores conseguiram escapar à lógica da reprodução do sistema que lhe é imposto. Só que isso requer várias condições: primeiro, não pode ser feito em termos individuais; segundo, a pessoa tem de respeitar que os outros também têm razão. Se, dentro da escola, os processos começam a mudar e os resultados aparecem, os outros professores se aproximam. Não tem de haver divisionismo.
UOL Educação - O senhor acha que a mudança na estrutura da escola poderia partir do poder público ou depende da base?
Pacheco - Acredito que possa partir do poder público, mas duvido que aconteça. As secretarias têm projetos importantes, mas são de quatro anos. Uma mudança em educação precisa de dezenas de anos. Precisa de continuidade. E isso é difícil de assegurar em uma gestão. Precisa partir de cada unidade escolar e do poder público juntos.