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terça-feira, 8 de março de 2016



(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
(Resíduo)

domingo, 17 de julho de 2011

Poesia

 Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

(Carlos Drummond de Andrade - Alguma poesia)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Para Sempre... Minha mãe morreu... DoR!

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
(Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas')

pS: Sentirei Muitas S A U D A D E S ! AMO-TE ! Minha MÃE!!!

Minha Mãe, Minha V I D A ! ! !

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Desejo que você tenha muitos desejos...



Gostaria de te desejar tantas coisas. Mas nada seria suficiente. Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos. Desejos grandes. E que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua felicidade!.

(Drummond)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Por muito tempo

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.

(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

“A minha vontade
é forte,
mas
a minha disposição
de obedecer-lhe
é fraca ”
*
(Carlos Drummond)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O gato é símbolo e guardião da vida intelectual

Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado sob a lua. Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura. É o movimento civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e que não carece de suplemento de informação. Livros e papéis beneficiam-se com a sua presteza austera. Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual.
*
(Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A Chave

E de repente
o resumo de tudo é uma chave.
*
A chave de uma porta que não abre
para o interior desabitado
no solo que inexiste,
mas a chave existe.
*
(Corpo, Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 16 de maio de 2009

“Por outro lado, a solidão em si é muito relativa. Uma pessoa que tem hábitos intelectuais ou artísticos, uma pessoa que gosta de música, uma pessoa que gosta de ler nunca está sozinha. Ela terá sempre uma companhia: a companhia imensa de todos os artistas, todos os escritores que ela ama, ao longo dos séculos”
*
(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

 “Que é loucura: ser cavaleiro andante
ou segui-lo como escudeiro?
De nós dois, quem o louco verdadeiramente?
O que, acordado, sonha doidamente?
O que, mesmo vendado,
vê o real e segue o sonho
de um doido pelas bruxas embruxado?
Eis-me, talvez o único maluco,
e me sabendo tal, sem grão de siso,
sou – que doideira – um louco de juízo.”
*

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 8 de março de 2009

Não importa onde você parou
Em que momento da vida você cansou
O que importa é que sempre é possível e necessário "recomeçar”.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo
É renovar as esperanças na vida e, o mais importante, acreditar em você de novo.
Sofreu muito neste período? Foi aprendizado...
Chorou muito? Foi limpeza da alma
Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia
Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste a porta até para os anjos
Acreditou que tudo estava perdido? Era o início de tua melhora
Onde você quer chegar? Ir alto? Sonhe alto... Queira o melhor do melhor
Se pensamos pequeno... Coisas pequenas teremos
Mas se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor
O melhor vai se instalar em nossa vida.
Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.
*
(Carlos Drumond de Andrade)