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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

(...) FREE

Querer não é poder.
Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder.
Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer...

Agir, eis a inteligência verdadeira.
Serei o que quiser.
Mas tenho que querer o que for.
O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito.
Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?

A renúncia é a libertação.
Não querer é poder.

(Fernando Pessoa)

domingo, 8 de janeiro de 2012

As Lentas Nuvens Fazem Sono



As lentas nuvens fazem sono,
O céu azul faz bom dormir.
Bóio, num íntimo abandono,
À tona de me não sentir.
E é suave, como um correr de água,
O sentir que não sou alguém,
Não sou capaz de peso ou mágoa.
Minha alma é aquilo que não tem.
Que bom, à margem do ribeiro
Saber que é ele que vai indo...
E só em sono eu vou primeiro.
E só em sonho eu vou seguindo.

(Fernando Pessoa)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Não tenho ambições nem desejos



Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho.



(Fernando Pessoa)

sábado, 5 de março de 2011

Dever de Sonhar

Eu tenho uma espécie de dever,
dever de sonhar,
de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas,
em salas supostas,
invento palco,
cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.

(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz!

Vai alta no céu a lua da Primavera
Penso em ti e dentro de mim estou completo.
Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz.
Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelo campo,
E eu andarei contigo pelos campos ver-te colher flores.
Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,
Pois quando vieres amanhã e andares comigo no campo a colher flores,
Isso será uma alegria e uma verdade para mim.

(Alberto Caeiro)

terça-feira, 6 de julho de 2010

O Tato

O tato é o sentido que marca, no corpo, a divisa entre Eros e Tânatos. É através do tato que o amor se realiza. É no lugar do tato que a tortura acontece.
Escarafunchei minhas memórias de leitura e não encontrei nada que se referisse ao tato, exceto na poesia e na literatura. Um dos poemas de Fernando Pessoa que mais me comovem é construído a partir de uma experiência de um toque. “Foi um momento o em que pousaste sobre o meu braço, num movimento mais de cansaço que pensamento, a tua mão, e a retiraste. Senti ou não? Não sei. Mas lembro e sinto ainda qualquer memória fixa e corpórea onde pousaste a mão que teve qualquer sentido incompreendido, mas tão de leve!.. Como se tu, sem o querer, em mim tocasses para dizer qualquer mistério, súbito e etéreo, que nem soubesses que tinha ser.” (Fernando Pessoa, Obra Poética, Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, p.178) A mão toca o braço, sem pensar, para dizer… E daí surge um poema.
O olhar pode revelar amor ou morte. Mas o olhar exige distância para ver. O olhar não toca. Os olhos, para ver, têm de estar distantes da pele. O olhar promete, anuncia, ou o carinho ou o soco. Mas o olhar não é nem o carinho e nem o soco. Carinho e soco são entidades do tato.
A audição também. Ouvir um poema pode ser uma experiência de amor (como no filme “O carteiro e poeta”). Mas nenhum amante se contenta com a alegria que seus ouvidos lhe dão ao ouvir a voz da pessoa amada. A voz não basta. A conversa ao telefone é alegria. Mas o telefone terá de ser desligado sem que se realize a promessa de carinho que estava presente na voz. Beethoven escreveu uma sonata que recebeu o nome de “Sonata do adeus”. Ela se divide em três partes. Inicia-se com três acordes de profunda tristeza e que dizem vagarosamente “Le-be-wohl” – “Adeus”. O segundo movimento é a “Ausência” – um tempo melancólico de tédio. Distância vazia. E o terceiro, de esfuziante alegria, o “Retorno”. Retorno é poder abraçar de novo, tocar, acariciar, beijar, fazer amor… A alegria dos ouvidos é mendiga. Ela está sempre mendigando o toque. Recebi uma chamada telefônica a cobrar. Ao atendê-la ouvi uma voz desconhecida que me ameaçava com um “grupo fortemente armado” caso não atendesse suas exigências. Eu não disse nada. Só desliguei o telefone. A voz, sozinha, não pode cumprir suas ameaças. A voz não pode perfurar o meu corpo.
O tato acontece quando a pele e, portanto, o meu corpo, é tocado por algo de fora (ou por ele mesmo…). Nisso está a sua delícia! Nisso está o seu perigo!
A primeira experiência do nenezinho ao vir ao mundo é a experiência de tato. Sem nada saber, sua boquinha já mama um objeto ausente. Fome, dirão. Não tenho tanta certeza. Se fosse fome o nenezinho pararia de chorar somente depois que o leite fizesse seu trabalho tranquilizador no estômago. Mas não é assim. O nenezinho para de chorar imediatamente quando sua boca se ajusta ao seio. É uma experiência tátil de tanto prazer que permanece gravada inesquecivelmente em nossa memória erótica. É por isso que, mesmo depois de desmamados, os nenezinhos continuam à procura da experiência tátil original, completamente dissociada do leite. Está aí o segredo das chupetas: foram inventadas para substituir o seio… Enquanto escrevia fiz uma experiência mental: imaginei-me chupando uma chupeta. Senti-me meio ridículo, mas gostei. Imaginei, então, que talvez as pessoas que lutam para deixar o cigarro pudessem encontrar satisfação para o seu desejo chupando uma chupeta… Quem sabe o seu mal é saudade do seio, de qualquer seio…
E não será por isso que os homens sentem prazer em beijar o seio da mulher amada? Quando se beija o seio da mulher amada não se pode ver o seu rosto e não é preciso ouvir a sua voz.
Mas o tato é, talvez, o sentido sobre o qual menos se tenha falado. Há uma filosofia dos olhos, uma filosofia do ouvido, uma filosofia da boca. Mas desconheço uma meditação filosófica sobre o tocar. E, no entanto, a pele é lugar de tantas alegrias. Lembro-me de uma cena do filme “Cidade dos Anjos”. Quando o Anjo Apaixonado resolveu tornar-se humano, mesmo ao preço de perder sua imortalidade, ele entrou no mundo desconhecido das delícias do tato. Há uma cena em que ele está tomando um banho de chuveiro. Ah! Que experiência assombrosa de prazer e alegria! E, no entanto, é uma experiência que temos diariamente. Acontece que, em nossos rituais, ela não é uma experiência erótica mas simplesmente um automatismo prático da caixa das ferramentas.
Os prazeres do tato estão em todos os lugares. Só é necessário prestar atenção. Tive uma cólica renal. No hospital me trataram com buscopan. Uma injeção. Duas. Três. Quatro. Aí eu já estava verde e comecei a vomitar de dor. O médico disse à enfermeira: “Aplica uma dolantina…” Ela aplicou. Cinco minutos depois eu estava no paraíso. Senti, então, o insuperável prazer de simplesmente não ter dor!
(Rubem Alves)

sábado, 26 de junho de 2010

Sentimentos

E eu sinto que
em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz.


(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Subitamente fugaz

Acordo de noite subitamente.
E o meu relógio ocupa a noite toda.
Não sinto a Natureza lá fora,
O meu quarto é uma coisa escura com paredes vagamente brancas.
Lá fora há um sossego como se nada existisse.
Só o relógio prossegue o seu ruído.
E esta pequena coisa de engrenagens que está em cima da minha mesa
Abafa toda a existência da terra e do céu...
Quase que me perco a pensar o que isto significa,
Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca,
Porque a única coisa que o meu relógio simboliza ou significa
É a curiosa sensação de encher a noite enorme
Com a sua pequenez...

(Fernando Pessoa)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Quer pouco, terás tudo

Quer pouco, terás tudo.
Quer nada: serás livre.
O mesmo amor que tenham
Por nós, quer-nos, oprime-nos.

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Liberdade...


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doura
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Lisbon revisited

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
*
(Fernando Pessoa)

domingo, 18 de outubro de 2009

O importante é ser você!

“Enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo.
Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora, soltar, desprender-se.
As pessoas precisam entender que ninguém está jogando com cartas marcadas, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Encerrando ciclos não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.”

(Fernando Pessoa)

sábado, 22 de agosto de 2009

Insônia

Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite
– Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
– Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
– Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.

Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.

Estou escrevendo versos realmente simpáticos
– Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos...
Tantos versos...
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstração de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo – sei lá salvo o quê...

Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo exceto no poder dormir!

Ó madrugada, tardas tanto... Vem...
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.

Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!

Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada...
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.

Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exatamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exatamente. Mas não durmo.
(Fernando Pessoa)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Las máscaras de la vida

 Citando Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, em "Tabacaria"...
*Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz
O dominó que vesti era errado
Conheceram-me logo por quem não era e não
desmenti e perdi-me
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara
Quando a tirei e me vi ao espelho
Já tinha envelhecido

quarta-feira, 24 de junho de 2009

 O Universo
é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto, é a matéria.
*
Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
*
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.*
(Fernando Pessoa: A máquina do tempo)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Gato que brincas na rua
Como se fosse a cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes,
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és, é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu
(Fernando Pessoa)




Ps.: Por onde andarás Daniela???
Um beijo da sua filha que te ama muito.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

 "Sou todo eu uma vaga saudade,
nem do passado,
nem do futuro:
sou uma saudade do presente,
anônima,
prolixa e
incompreendida."
*
(Fernando Pessoa)

segunda-feira, 8 de junho de 2009


“E assim sou fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende.”
*
(Fernando Pessoa)

domingo, 31 de maio de 2009

 FALAS DE CIVILIZAÇÃO, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as cousas humanas postas desta maneira.
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seria melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para quê te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as cousas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as cousas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

*
(Fernando Pessoa, Poesia completa de Alberto Caeiro)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

 A criança que pensa em fadas e acredita em fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em um ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.


(Obra Poética – Fernando Pessoa)