quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Anúncio para solitários


Procura-se um amigo sozinho de andar discreto e gesto silencioso.
Procura-se desesperadamente um amigo que saiba se aproximar de um passarinho.
*

(Rita Apoena)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Podem calar minha voz, mas o meu pensamento não!

Quando descobri que o máximo que podiam fazer era prender meu corpo, percebi a extensão da minha liberdade.

(Henry Thoreau)

Sobre a vida...



“A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos.
O quadro é único, a moldura é que é diferente.”

(Florbela Espanca)

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Razão para viver...


 "Enquanto tiveres um desejo,
terás uma razão para viver.
A satisfação é a morte."

(George Bernard Shaw)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Declaração de amor funciona.

Não é varinha de condão, não faz mágica, mas jamais passa despercebida.
Todo mundo, não importa a idade, o sexo ou o estado civil, quer ser amado.
Podemos até já ser muito amados, mas queremos mais.
Mas mesmo quando a gente desperta o interesse em quem não nos atrai, ainda assim isso mexe favoravelmente com nosso ego. E esta pessoa deixa de ser um ninguém.
Um cara ou uma garota chega perto de você e diz com todas as letras que você é a pessoa mais importante da vida dela, que te ama pra caramba e pede para que, se você um dia achar possível retribuir esse sentimento, mande avisar.
Vira as costas e vai embora. Cacilda.
Você só vai debochar dessa criatura se for muito tosco.
Se você o achava um idiota, pense duas vezes: este idiota se amarrou em você, então não deve ser tão idiota assim.
Apaixonou-se? Declare-se.
Pode dar em nada, mas garanto que você vai ficar na cabeça de alguém o tempo necessário para ele considerar a hipótese.
*
(Declaração de amor - Martha Medeiros)

domingo, 10 de janeiro de 2016

O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO


O conceito de Deus como o Grande Arquiteto do Universo tem sido empregado muitas vezes no cristianismo. Ilustrações de Deus como o arquiteto do universo podem ser encontradas em Bíblias desde a Idade Média e regularmente empregadas pelos apologistas e professores cristãos.
O Cristianismo usa regularmente conceituar Deus como “Grande Arquiteto do Universo”.
Bíblias desde Idade Média têm ilustrado Deus como o arquiteto do universo. Esta referência é apresentada com regularidade.
Teólogos cristãos como Tomás de Aquino sustentam que existe um Grande Arquiteto do Universo, a Primeira Causa, e que este é Deus. Os comentadores de Aquino, como Stephen Richards  têm apontado que a afirmação de que o Grande Arquiteto do Universo é o Deus cristão não é evidente, com base na "teologia natural" somente, mas requer adicionalmente de um "salto de fé" baseado na revelação da "Bíblia".

João Calvino, em seu Instituto da Religião Cristã (publicado em 1536), chama repetidamente o Deus cristão de "O Arquiteto do Universo", também se referindo aos seus trabalhos como "Arquitetura de Universo", e em seu comentário sobre Salmo 19 na Bíblia católica, Salmo 18 refere-se à Deus como o "Grande Arquiteto" ou "Arquiteto do Universo".

Conceito maçônico

O conceito do 'Grande Arquiteto do Universo' está além de qualquer credo religioso, respeitando toda a sua pluraridade. A crença num ser supremo é ponto indiscutível, para que se possa ser iniciado na maçonaria, uma realidade filosófica mas não um ponto doutrinal.
Como é uma escola de filosofia, moral e bons costumes, e não sendo uma religião, a maçonaria não pretende concorrer com outras religiões. 
Permite aos seus iniciados a crença em qualquer uma das religiões existentes, exigindo apenas a crença num ser superior, criador de tudo e de todos, que o candidato já acreditasse antes mesmo de considerar a possibilidade de vir a ser um maçom. 

Assim, 'Grande Arquiteto do Universo' ou 'G.·.A.·.D.·.U.·.' é uma designação maçônica para uma força superior, criadora de tudo o que existe.

Com esta abordagem, não se faz referência a uma ou outra religião ou crença, permitindo que maçons muçulmanos, católicos, budistas, espíritas e outros, por exemplo, se reúnam numa mesma loja maçônica.
Para um maçom de origem muçulmana se referiria a Alah, para outro de católica, seria Deus, de qualquer forma significaria O Criador Supremo. Assim as reuniões em loja podem congregar irmãos de diversas crenças, sem invadir ou questionar seus conteúdos. A atividade da Maçonaria em relação ao Grande Arquiteto do Universo - G.·.A.·.D.·.U.·., envolve estudos filosóficos e não proselitismo.

Sendo a maçonaria uma instituição que teve origem histórica nas corporações de construtores medievais – que eram formadas por arquitetos, engenheiros, artesãos, pedreiros e outros profissionais ligados à área da construção civil e militar – e, ainda nos nossos dias, valer-se de instrumentos daqueles ofícios como ícones simbólicos (o compasso e o esquadro, por exemplo), nada mais natural que denomine o projetista ou construtor de tudo o que existe como O Grande Arquiteto do Universo. Denominações adicionais para o Criador como O Grande Arquiteto dos Mundos ou O Grande Geômetra são encontradas em alguns livros maçônicos, todas com o mesmo significado.
Para os Maçons Deus é o amor infinito, a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, é aquele que não tem começo nem fim, e não pode ser conhecido através dos esforços intelectuais de uma mente humana que, por mais avançada ou capaz que seja, está sujeita a limitações. Deus, portanto, é uma força que não pode ser analisada ou mensurada, só podendo ser sentida e contemplada através de suas manifestações. Esta força é o que os maçons chamam de Grande Arquiteto, gerador do universo, do homem e da vida em todas as suas formas.

Conceito hermético

O Hermetismo é o estudo e prática da filosofia oculta e da magia, de um tipo associado a escritos atribuídos ao deus Hermes Trismegistus, "Hermes Três-Vezes-Grande", uma deidade sincrética que combina aspectos do deus grego Hermes e do deus egípcio Thoth. 
Estas crenças tiveram influência na sabedoria oculta europeia, em especial desde a Renascença, quando foram reavivadas por figuras como Giordano Bruno e Marsilio Ficino. A magia hermética passou por um renascimento no século XIX na Europa Ocidental, onde foi praticada por nomes como os envolvidos na Ordem Hermética do Amanhecer Dourado e Eliphas Lévi. O hermetismo também está associado à alquimia e a astrologia.

Hermes Trimegisto, o Três Vezes Grande, era considerado pelos Egípcios o Mensageiro dos Deuses, por ter transmitido os ensinamentos a este grande povo da antiguidade e ter implantado a tradição sagrada, os rituais sagrados, e os ensinamentos das artes e ciências em suas Escolas da Sabedoria.

O Grande Arquiteto também pode ser uma metáfora aludindo à potencialidade divina de cada indivíduo. "Deus) ... Esse poder invisível que todos sabemos existir, mas entendida por muitos nomes diferentes, tais como Deus, o universo, o Espírito, o Ser Supremo, a Inteligência, Mente, Energia, Natureza e assim por diante." 

Na Tradição Hermética, cada pessoa tem o potencial de tornar-se Deus, esta ideia ou conceito de Deus é percebido como interno e não externo. O Grande Arquiteto é também uma alusão ao universo criado observador. Nós criamos nossa própria realidade, por isso nós somos o arquiteto. Outra forma seria a de dizer que a mente é o construtor.

Os Herméticos não instituíram uma religião, de forma que seus princípios pudessem ser aproveitados por todas mas não pertencessem a nenhum credo. De fato, os ‘Princípios Herméticos’ são baseados nas Leis da Natureza, e como tais pertencem somente à Ordem Divina.

Conceito Platonista

O sistema metafísico de Platão centraliza-se e culmina no mundo divino das idéias; e estas contrapõe-se a matéria obscura e incriada. Entre as idéias e a matéria estão o Demiurgo (Arquiteto Universal ou construtor) e as almas, através de que desce das idéias à matéria aquilo de racionalidade que nesta matéria aparece.

O divino platônico é representado pelo mundo das idéias e especialmente pela idéia do Bem, que está no vértice. A existência desse mundo ideal seria provada pela necessidade de estabelecer uma base ontológica, um objeto adequado ao conhecimento conceptual.

Esse conhecimento, se impõe ao lado e acima do conhecimento sensível, para poder explicar verdadeiramente o conhecimento humano na sua efetiva realidade. E, em geral, o mundo ideal é provado pela necessidade de justificar os valores, o dever ser, de que este nosso mundo imperfeito participa e a que aspira.

O Bem nunca é chamado de Deus por Platão, mas sim o Demiurgo, que é o ordenador supremo do mundo, é o pai e arquiteto do Universo, o Deus que criou o mundo por amor e que moldou com suas próprias mãos a Alma do mundo.

Conceito do ponto de vista da gnosis

O conceito de Grande Arquiteto do Universo ocorre no gnosticismo. O Demiurgo é o Grande Arquiteto do Universo, o Deus do Antigo Testamento, em oposição a Cristo e Sophia mensageiros da Gnose do Verdadeiro Deus. Ebionits como Notzrim, por exemplo, o Rabba Pira, é a fonte de origem, e, recipiente de todas as coisas, que é preenchido pelo Rabba Mana, o Grande Espírito, do qual emana a primeira vida. 

A primeira vida reza para a companhia e filhos, após o que a segunda vida, o Ultra Mkayyema ou mundo que constitui Æon, o Arquiteto do Universo, vem a ser. A partir desse Arquiteto vem uma série de æons, que erguem o universo sob a comando da gnosis, o conhecimento personificado de vida.

O conceito de gnose pode ser dividido em duas características básicas. A primeira é quando a pessoa crê que a realidade atual é opressora e escravizante. A segunda é que existe um conhecimento que liberta dessa opressão. Gnosis em grego quer dizer conhecimento.

O Demiurgo, o Artífice ou Criador, em alguns sistemas de crenças, é a deidade responsável pela criação do universo físico. Originalmente, o demiurgo era descrito como uma entidade divina nos trabalhos de Platão, cerca de 360ac, porém mais tarde no Gnosticismo o termo refere-se ao maligno deus criador do mundo material.

O demiurgo aparece em diferentes sistemas religiosos e filosóficos, mas notavelmente no Platonismo e mais tarde no Gnosticismo. No platonismo, o demiurgo é uma divindade ou força criativa que deu forma ao mundo material. Platão usa o termo para significar a criação omni-benevolente. Para Platão, o demiurgo é uma criador (de leis ou do céu) ou o criador (do Mundo) em Timaeus. 

Já no Gnosticismo, uma divindade subordinada à Divindade suprema, algumas vezes considerada como o criador do mal. Uma força que governa ou poder criativo.


Ele é o formador do Mundo inferior (ou material). Considerado como o chefe dos Arcontes e de sabedoria limitada e imperfeita. Segundo os Gnósticos, esta entidade seria o Deus do Velho Testamento da Biblia. Este ente tem a arrogância típica dos que se acham onipotentes, contudo não é mau. Criador de tudo que conhecemos, porém acha que todos devem curvar-se a sua divindade. 

Entretanto questionado por Sophia (Na tradição gnóstica, Sophia é uma figura feminina, análoga à alma humana e simultaneamente um dos aspectos femininos de Deus) que quer que as Almas do Mundo sejam livres, rebela-se e envia aos homens o seu filho mais querido, o Cristo. Assim as Almas tenham consciência de sua parcela divina e partam para o Pleroma. 

Para impedir isso, o Demiurgo cria inúmeras ilusões para afastar as Almas de sua legítima parcela divina e sejam escravos da roda do Mundo, a Reencarnação. Portanto, a entidade poderá continuar a ser governante desta pequena Esfera de Vida onde é absoluto.



http://muitoalem2013.blogspot.com.br/2013/11/o-grande-arquiteto-do-universo.html

sábado, 9 de janeiro de 2016

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A mais nobre alegria dos homens que pensam
é haverem explorado o concebível
e reverenciarem em paz o incognoscível.


(Goethe)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

. . .

Uma casa deve ter varandas para sonhar, cantos para chorar, quartos para os segredos e a ambivalência. Um amor precisa espaço de voar, liberdade para querer ficar, alegria e algum desassossego contra o tédio. Não se esqueçam os danos a cobrir, o medo de partir, e o dom de surpreender - que é a sua essência.
(Lya Luft)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Você sabe!


Quem procura videntes para saber o futuro está se privando, inconscientemente, de uma sugestão interior mil vezes mais precisa do que qualquer coisa que eles possam dizer.


Walter Benjamin,
1892-1940

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Quem souber brincar entra



Na porta do paraíso
Está uma criança.
Não consulta livro
nem pergunta nada.
Só abre um baú enorme,
onde estão guardados
todos os brinquedos
inventados
e por inventar,
e diz:
Escolha um para brincar comigo!
Quem souber brincar entra.

(Rubem Alves)

domingo, 3 de janeiro de 2016

(...)

Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (...) Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca.

(Saint-Exupéry)

sábado, 2 de janeiro de 2016

Isso é muita sabedoria

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... O de mais nada fazer.


(Clarice Lispector)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Eu gosto mesmo é de viver nestes mundos dentro de mundos... Nestes MUNDOS PARALELOS...

CÂNTICO IV
I
Não queiras ter Pátria.
Não dividas a Terra.
Não dividas o Céu.Não arranques pedaços ao mar .
Não queiras ter .
Nasce bem alto.
Que as coisas todas serão tuas.
Que alcançarás todos os horizontes.
Que o teu olhar, estando em toda parte
Te ponha em tudo,
Como Deus.

II
Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens  – . .
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabe que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade. . .
É a eternidade.
És tu.
III
Não digas onde acaba o dia-
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu.
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde é Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa, completamente silencioso. Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar.
IV
Adormece o teu corpo com a música da vida. Encanta-te.
Esquece-te.
Tem por volúpia a dispersão.
Não queiras ser tu.
Queira ser a alma infinita de tudo.
Troca o teu curto sonho humano
Pelo sonho imortal.
O único.
Vence a miséria de ter medo.
Troca-te pelo Desconhecido.
Não vês, então, que ele é maior?
Não vês que ele não tem fim?
Não vês que ele és tu mesmo?
Tu que andas esquecido de ti? 

(Cecília Meireles)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Se acontecer

As estrelas brilham sem saber,
Mas cada vez melhor
Pois foi só você aparecer
Todas desceram pra ver
Você brilhar de cor.
O que mais chamou minha atenção?
Sua expressão sutil
Isso eu já não posso esquecer
Porque não foi só visão,
O coração sentiu.

A tenda da noite enche de sombra
Um sonhar vazio
Percorri tantas fontes até ver você
Sair do nada pros meus horizontes
Que a manhã pura e sã
Com as mãos de jasmim vá roçar seu rosto
Pro amor ardente despertar por mim
Deus é pai, vai saber
Se acontecer, serei seu até o fim!

Em tempo de chuva, que chova:
Eu não largo da sua mão!
Nem que caia um raio
Eu saio sem você na imaginação.

(Djavan)
E há uma bem-aventurança física que a nada se compara. O corpo se transforma em um dom. E se sente que é um dom porque se está se experimentando, em fonte direta, a dádiva de repente indubitável de existir milagrosamente e materialmente.
Tudo ganha uma espécie de nimbo que não é imaginário: vem do esplendor da irradiação matemática das coisas e da lembrança de pessoas. Passa-se a sentir que tudo que existe respira e exala um finíssimo esplendor de energia. A verdade do mundo, porém, é impalpável.
Não é nem de longe o que mal imagino deve ser o estado de graça dos santos. Este estado jamais conheci e nem sequer consigo adivinhá-lo. É apenas a graça de uma pessoa comum que a torna de súbito real porque é comum e humana e reconhecível. As descobertas nesse sentido são indizíveis e incomunicáveis. E impensáveis. É por isso que na graça eu me mantive sentada, quieta, silenciosa. E como em uma anunciação. Não sendo porém precedida por anjos. Mas é como se o anjo da vida viesse me anunciar o mundo. Depois lentamente saí. Não como se estivesse estado em transe - não há nenhum transe - sai-se devagar, com um suspiro de quem teve tudo como o tudo que é. Também já é um suspiro de saudade. pois tendo experimentado ganhar um corpo e uma alma, quer-se mais e mais. Inútil querer: só vem quando quer e espontaneamente. Essa felicidade eu quis tornar eterna por intermédio da objetivação da palavra. fui logo depois procurar no dicionário a palavra beatitude que detesto como palavra e vi que quer dizer gozo da alma. Fala em felicidade tranquila - eu chamaria porém de transporte ou de levitação. Também não gosto da continuação no dicionário que dia: “de quem se absorve em contemplação mística”. Não é verdade: eu não estava de modo algum em meditação, não houve em mim nenhuma religiosidade. Tinha acabado de tomar café e estava simplesmente vivendo ali sentada com um cigarro queimando-se no cinzeiro. […]
E eis que depois de uma tarde de “quem sou eu” e de acordar à uma hora da madrugada ainda em desespero - eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente eu sou eu. e você é você. É vasto, vai durar.
O que te escrevo é um “isto”. Não vai parar: continua.
Olha para mim e me ama. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo.
O que te escrevo continua e estou enfeitiçada.
(Clarice Lispector - Água Viva)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Ela é assim...

Ela é assim! Pronto. Mas assim como? Explica! Ela é assim um mix de tudo que se possa imaginar dentro de uma grande capacidade de apenas não ser nada em definitivo. Ela é aquilo que não consegue se encaixar em moldes pré-existentes, parece que ninguém nunca foi antes dela. Ela se incomoda com isso, às vezes, muito. Ela é cheia de sentimentos, parece que suas experiências se manifestam é no dorso do seu colo, e quase sempre, de vez em quando, tudo isso pesa. Mas não tem modo, não existe maneira que a faça ser diferente. E ainda, graças a Deus, ela é diferente. Algo que pesa e que tem o dom da leveza, algo que chora e que se manifesta em sorrisos, algo de forte, mas que se desmancha quando encontra a água.

(Clarice Lispector)

sábado, 26 de dezembro de 2015

Dois Pontos








É como se a vida dissesse o seguinte: e simplesmente não houvesse o seguinte. Só os dois pontos à espera.



(Clarice Lispector)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Índigo Love

A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender.
Nessas moradas estão tesouros da ternura humana dos quais só os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.

(Artur da Távola)

(...) senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.

Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor SENTIR. 

E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser movida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida. 

Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei. 

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro. 

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. 

No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teriamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.


(Clarice Lispector)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Mundos Paralelos...

Está faltando o sonho no que eu escrevo. Como viver é secreto! Meu segredo é a vida. Eu não conto a ninguém que estou viva. 

(Clarice Lispector)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Mais uma vez

Mais uma vez
Eu vou te deixar
Mas eu volto logo pra te ver
Vou com saudades no meu coração
Mando notícias de algum lugar
Eu sei que muitas vezes te fiz esperar demais
Mas, mesmo na distância o meu pensamento voa longe
demais
Fico imaginando você sofrendo
Na solidão
Quando eu vou deitar penso em você 
Em seu quarto dormindo

Longe de você meu bem

Longe da alegria
Longe de você meu bem
Longe do nosso lar, mais uma vez


(Marisa Monte - Mais uma vez)

domingo, 29 de novembro de 2015

Eu sou feliz...

"Homens pequenos não suportam a grandeza de mulheres loucas. Eles não suportam a risada exagerada delas, a inteligência para assuntos complexos, a visão que elas têm sobre a vida, sobre a felicidade que a liberdade pode proporcionar. 
Homens pequenos não suportam os livros cheio de tesão e amor que elas guardam, as músicas com letras enigmáticas, as fotos abstratas, as roupas metade preto e metade coloridas.
Homens pequenos não podem competir com a grandeza de uma mulher louca, que sente dez vezes mais que o resto do mundo, que chora silenciosamente só pra não parecer fraca, que consegue caminhar sozinha, mas aceita a companhia de alguém que a entenda. 
Eles não suportam serem amados com tanta força, serem desvendados, descobertos facilmente e enfeitiçados. 
Eles não podem ficar, porque seria loucura demais competir com o sexto sentido delas, com a beleza delas, com o sorriso inocente, com o olhar triste, com a boca que chama, com o corpo que arde em adrenalina. É por isso que eles fogem, têm medo. 
Mulheres assim se casam com a própria loucura, e acredite, elas são felizes."
(Helena Ferreira)

sábado, 28 de novembro de 2015

CANTANDO A MELODIA... Naquela Tarde Vazia e me Valeu o Dia... Alô

Pela janela vejo fumaça, 
vejo pessoas
Na rua os carros, no céu o sol e a chuva
O telefone tocou na mente fantasia
Você me ligou naquela tarde vazia
E me valeu o dia
Você me ligou naquela tarde vazia
E me valeu o dia
Pela janela vejo fumaça, vejo pessoas
Na rua os carros, no céu o sol e a chuva
O telefone tocou na mente fantasia
Você me ligou naquela tarde vazia
Na mente fantasia
Você me ligou naquela tarde vazia
E me valeu o dia
Valeu o dia.
Valeu o dia
Você me ligou naquela tarde vazia
Na mente fantasia
Na mente fantasia. Na mente fantasia
Podia ter muitas garotas mas você é diferente
Você me ligou naquela tarde vazia
E me valeu o dia
Valeu o dia.
Valeu o dia
Na mente fantasia.
Na mente fantasia
Cantando a melodia.
Cantando a melodia

(Tarde Vazia - Ira)

domingo, 8 de novembro de 2015



Saudade a gente tem é dos pedaços de nós que ficam pelo caminho.”
(Martha Medeiros)

Amor e Gratidão

Mesmo esquecendo, meu ser lembrará de ti
nas cousas
ou coisas que esqueceste, 
quando fostes embora...
Fisicamente, teu cheiro.
 O que ficou foi pensamento... 
Glória... 
Êxtase...
Lembrarei de ti, na escuridão de meus dias ensolarados,
 no abandonar e deixar partir
com certezas de não existir volta e, 
clamar um dia depois para que retornes...
Entrastes por portas que não devias, Tirastes a casca de machucados já cicatrizados...
risos
ou devias ter feito pousada, criado raízes, ter feito moradia...
Solidão perversa? 
Não. 
Prazeroso é lembrar, ter bebido de ti, mas saber que sua energia vital se mantêm...
Que as maléficas intenções de prisão nunca irão te conter,
Sem asas tens alcançado voo, sem medo de se jogar, pela incerteza do para-quedas...
Liberdade provinciana, 
Que não podes se manter intacta, vivendo sobre a égide de meus braços...
Pouco é o que sobrou...
mas, de tamanho superior a tudo que já tive
ou espero como bondade do mundo...
Gratidão
Que se resigna em um interagir constante...
                                                                                                ( E.A.A).

quinta-feira, 23 de julho de 2015



“Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter, calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz."


(Clarice Lispector)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

É urgente o amor


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

terça-feira, 14 de julho de 2015




Olhe, tenho uma alma prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente, Também sou muito calmo e perdoo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre.

(Clarice Lispector)

Sobre o que é realmente necessário...


domingo, 12 de julho de 2015

Daniel Na Cova Dos Leões

AQUELE GOSTO amargo DO TEU CORPO
FICOU na MINHA BOCA por mais tempo.
De amargo, então salgado ficou DOCE,
Assim que o TEU CHEIRO FORTE E LENTO...
FEZ CASA NOS MEUS BRAÇOS e AINDA LEVE,
FORTE, CEGO e TENSO, FEZ SABER
QUE AINDA ERA MUITO E MUITO POUCO.

FAÇO NOSSO O MEU SEGREDO MAIS SINCERO
E desafio o INSTINTO dissonante.
A INSEGURANÇA NÃO ME ATACA QUANDO ERRO
E O TEU MOMENTO PASSA A SER O MEU INSTANTE.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão.
TEU CORPO É MEU ESPELHO E EM TI NAVEGO
E EU SEI QUE A TUA CORRENTEZA NÃO TEM DIREÇÃO.

Mas, TÃO CERTO quanto o ERRO de ser BARCO
A MOTOR  E INSISTIR em USAR OS REMOS,
É o MAL QUE a ÁGUA FAZ QUANDO SE AFOGA
E o SALVA VIDA não está lá porque NÃO VEMOS.

(Legião Urbana)

segunda-feira, 15 de junho de 2015

( . . . )








O tédio é de uma felicidade primária demais! E é por isso que me é intolerável o paraíso.

(Clarice Lispector)

sábado, 13 de junho de 2015

Lóri e Ulisses

"... Mas com Ulisses estava sendo diferente. Ele nunca fora humilde no amor, por deslumbramento, se tornava
humilde. Ela não soube como, de joelhos mesmo, ele a tinha feito ajoelhar-se junto a ele no chão, sem que ela
sentisse constrangimento. E uma vez os dois ajoelhados ele enfim a beijou. Ele a beijou demoradamente até que ambos puderam se descolar um do outro. Ambos sabiam que já tinham ido longe demais. E ainda sentiam perigo de entregarem-se tão totalmente. Continuaram em silêncio. Foi então deitados no chão que se amaram tão profundamente que tiveram medo da própria grandeza deles.
 _ Devagar, Lóri, devagar, temos a noite inteira, devagar. Eles pareciam saber que quando o amor era grande demais e quando um não podia viver sem o outro, esse amor não era mais aplicável: nem a pessoa amada tinha capacidade de receber tanto. Lóri estava perplexa ao notar que mesmo no amor tinha-se que ter bom senso e senso de medida. Por um instante, como se estivessem combinado, ele beijou sua mão, humanizando-se. Pois havia o perigo de, por assim dizer, morrer de amor..."


(Clarice Lispector) / Foto: da Série True Blood