sábado, 14 de novembro de 2009

O Suicida

Não restará na noite uma só estrela.
Não restará a noite.
Morrerei e comigo irá à soma
Do intolerável universo.
Apagarei medalhas e pirâmides,
Os continentes e os rostos.
Apagarei a acumulação do passado.
Farei da história pó, do pó o pó.
Estou a olhar o último poente.
Ouço o último pássaro.
Lego o nada a ninguém.
*
(Jorge Luis Borges, in “A Rosa Profunda”)

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